Boletim Epidemiológico Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa) (Atualizado em 21/11/2019)

Visualizar em PDF

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC), divulga o resultado do Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa) realizado no mês de novembro de 2019, comparando com a atividade realizada no mesmo período no ano de 2018.

O LIRAa é uma atividade que foi desenvolvida pelo Ministério da Saúde em 2002, sendo realizada pelos municípios considerados infestados pelo Aedes aegypti. Ela permite a identificação de áreas com maior proporção/ocorrência de focos, bem como dos criadouros predominantes, indicando o risco de transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus. A atividade é realizada por meio da visita a um determinado número de imóveis do município, onde ocorre a coleta de larvas para definir o Índice de Infestação Predial (IIP).

Conforme definido na Estratégia operacional do estado de Santa Catarina, os municípios infestados devem realizar a atividade nos meses de março e novembro.

 Em novembro de 2018 a atividade do LIRAa foi realizada por 74 municípios, destes 3 (4,1%) apresentaram alto risco para a transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus, 28 (37,8%) apresentaram médio risco e 43 (58,1%) baixo risco. Destaca-se que os 3 municípios em alto risco estavam localizados na região oeste do estado.

Neste ano 94 municípios foram orientados a realizar o LIRAa em novembro de 2019. Desses, 92 realizaram a atividade. Os municípios de Florianópolis e Jaraguá do Sul não enviaram as informações da atividade até o momento.

Dos municípios que realizaram o LIRAa, 11 (12%) apresentaram alto risco para transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus, 39 (42,4%) médio risco e 42 (45,7%) baixo risco, conforme Tabela 1 e Quadro 1. Dos 11 municípios classificados como alto risco, sete (07) estão localizados na Região de Saúde Oeste, dois (02) na Região de Saúde Xanxerê, um (01) no Extremo Oeste e um (01) na Foz do Rio Itajaí (Figura 1).

Os dados demonstraram um aumento nos municípios classificados com alto e médio risco. Em novembro de 2018 foram 44% dos municípios nessa condição, enquanto nesse ano o percentual subiu para 54,3%.

 

 

A atividade do LIRAa fornece informações referentes a quantidade e o tipo de recipientes inspecionados, ou seja, locais que apresentam água, e que podem servir como criadouros para reprodução do Aedes aegypti. Esses dados auxiliam os municípios a discutir e direcionar ações para áreas apontadas como críticas, além de avaliar as atividades desenvolvidas, o que possibilita a otimização de recursos humanos e materiais disponíveis.

No LIRAa realizado em novembro de 2018 foram inspecionados 76.900 depósitos. Já na atividade realizada em novembro de 2019 foram 78.785 depósitos, o que representa um pequeno aumento de 2,5% no número de depósitos inspecionados.  

Os principais tipos de recipientes inspecionados na atividade realizada em novembro de 2019 foram: pequenos recipientes móveis, como pratinhos de plantas e baldes (36,9%), lixo e sucata (32,8%) e os recipientes fixos como calhas e piscinas (15,6%) (Figura 2).

 

Entretanto, é importante destacar que em relação aos recipientes predominantes existem diferenças conforme a Gerência Regional de Saúde (GERSA) analisada (Tabela 2). Os pequenos depósitos móveis foram predominantes nas GERSAS de Mafra (56%), Concórdia (44,9%), Grande Florianópolis (43,1%), Blumenau (41,1%), São Miguel do Oeste (37,8%), Joaçaba (36,6%) e Itajaí (32,7%). 

O lixo e a sucata representaram 61,8 % dos inspecionados na GERSA de Araranguá, Chapecó (40,8%) e Joinville (34,2%).Quando a análise recai sobre os recipientes naturais, como as bromélias, existiu uma representatividade maior nas GERSAS de Araranguá (16%), Blumenau (12%) e Joinville (8,7%). Em relação ao armazenamento de água elevado, como caixas d´água destacaram-se as GERSAS de Joaçaba com 6,5% e São Miguel do Oeste com 3,3% do total de recipientes inspecionados. 

Salientamos que os IIP apresentados neste Boletim são calculados de forma global para o município, não particularizando a situação de infestação por estrato. Assim, cabe a cada município analisar os dados obtidos levando em consideração os diferentes índices por estrato, bem como os tipos de recipientes prevalentes, objetivando direcionar as ações de controle vetorial adequadas.

É importante destacar que o aumento no número de municípios classificados como médio e alto risco, favorece a possibilidade de ocorrência de surtos ou epidemias das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Com essa situação, é fundamental a intensificação das ações de controle envolvendo outras áreas da gestão municipal e da sociedade civil organizada, afim de eliminar e adequar locais que possam acumular água. O controle do Aedes aegypti ainda é a melhor estratégia para evitar a transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus no estado de Santa Catarina.


Topo