Informe Epidemiológico n°28/2019 – Vigilância da Influenza (atualizado em 25 de outubro de 2019)

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Os dados contidos neste informe são oriundos da vigilância universal de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que monitora os casos hospitalizados e óbitos com o objetivo de identificar o comportamento do vírus influenza, orientando os órgãos de saúde na tomada de decisão frente à ocorrência de casos graves de SRAG causados pelo vírus.

Os dados são coletados pelas Secretarias Municipais de Saúde por meio de formulários padronizados e inseridos no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe: SIVEP Gripe. As amostras laboratoriais são coletadas e encaminhadas para a análise no LACEN/SC.

As informações apresentadas neste informe são referentes ao período que compreende as semanas epidemiológicas (SE) 01 a 43 de 2019, ou seja, casos com início de sintomas em 30/12/2018 até os registrados em 25/10/2019.   

A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) abrange casos de síndrome gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória que, na maioria dos casos, leva à hospitalização, sem outra causa específica. As causas podem ser vírus respiratórios, dentre os quais predominam os da influenza do tipo A e B, ou bactérias, fungos e outros agentes.

Perfil epidemiológico - Vigilância universal de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em Santa Catarina – SC

De 30 de dezembro de 2018 a 25 de outubro de 2019 (SE 43), foram notificados 1.949 casos suspeitos de SRAG em Santa Catarina. Destes, 494 (25,8%) foram confirmados para influenza, sendo 370 (75,7%) pelo vírus A (H1N1) pdm09, 61 (12,5%) pelo vírus A (H3N2), 17 (3,5%) aguardando subtipagem, 45 (9,2%) pelo vírus Influenza B e 1 (0,2%) encerrada por vínculo epidemiológico. Outros 1.090 (55,9%) casos de SRAG tiveram resultado negativo para influenza A e B (SRAG não especificada), 345 (17,7%) casos de SRAG foram ocasionados por outro vírus respiratórios, 2 (0,1%) SRAG por outros agentes etiológicos e 18 (0,9%) casos se encontram em investigação, aguardando confirmação laboratorial, conforme a Tabela 1.



Os municípios que apresentaram casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza foram: Florianópolis com 47 casos; Blumenau e Chapecó com 35 casos; Joinville com 29 casos; Treze de Maio com 22 casos; Balneário Camboriú com 19 casos; Tubarão com 17 casos; Sangão e São José com 16 casos cada;  São Bento do Sul com 14 casos; Jaraguá do Sul com 13 casos; Brusque com 12 casos;  Criciúma, Lages e  Palhoça com 11 casos cada; Laguna, e Videira com 9 casos cada; Canoinhas, Itajaí e Pomerode com 7 casos cada; São Joaquim com 6 casos; Araranguá e Camboriú com 5 casos cada; Biguaçu, Braço do Norte, Imbituba, São Francisco do Sul e  Tijucas com 4 casos cada; Balneário Barra do Sul, Campos Novos, Capivari de Baixo, Coronel Freitas, Curitibanos, Guaramirim, Papanduva, Pescaria Brava, Rio do Sul e Rio Negrinho com 3 casos cada; Armazém, Botuverá, Caçador, Concórdia, Cunha Porã, Governador Celso Ramos, Luzerna, Mafra, Maravilha, Mondaí, Navegantes, Pedras Grandes, São João Batista, São Miguel do Oeste, Timbó, Tunápolis e  Turvo com 2 casos cada; Abelardo Luz, Águas Mornas, Alfredo Wagner, Apiúna, Araquari, Arvoredo, Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota, Bombinhas, Descanso, Flor do Sertão, Fraiburgo, Galvão, Grão Pará, Guabiruba, Guaraciaba, Içara, Imaruí, Itaiópolis, Itapema, Itapoá, Jacinto Machado, Joaçaba, Lauro Muller, Luiz Alves, Meleiro, Modelo, Morro da Fumaça, Paial, Palmitos, Penha, Peritiba, Porto Belo, Rio das Antas, Santo Amaro da Imperatriz, São Lourenço do Oeste, São Ludgero, Schroeder, Seara, Siderópolis, Sombrio, Tangará, Três Barras e Urussanga com 1 caso cada e, 03 casos de pacientes residentes em outros estados, sendo um residente em São Paulo e 02 no Paraná, como ilustra a Figura 1.

 



Em relação à idade, os casos de SRAG confirmados por influenza acometeram indivíduos nas faixas etárias menor de 2 anos (23 casos); de 2 a 4 anos (12 casos); de 5 a 9 anos (40 casos); de 10 a 19 (36 casos); de 20 a 29 anos (48 casos); de 30 a 39 anos (46 casos); de 40 a 49 anos (69 casos); de 50 a 59 (77 casos) e acima de 60 anos (138 casos), como se pode ver na Tabela 2.

 

Dos 494 casos de SRAG confirmados como influenza, 282 (57,1%) apresentaram pelo menos um fator de risco para agravamento, com destaque para 138 (48,9%) adultos (acima de 60 anos); 888 (31,2%) com doença cardiovascular crônica; 77 (27,3%) com Diabetes Melittus, como descreve a Tabela 3. Desses, 403 evoluíram para a cura, 64 foram a óbito e 27 estão aguardando evolução do caso. Dos pacientes que evoluíram para a cura, 233 fizeram uso do antiviral Oseltamivir(Tamiflu), em média três dias após o início dos sintomas e 123 fizeram uso entre 4 e 124 dias após início dos sintomas de síndrome gripal (febre, tosse ou dor de garganta e, pelo menos, mais um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia) e 47 não fizeram uso do antiviral.

 

 

Perfil dos óbitos em Santa Catarina

Até o dia 25/10/2019, do total de casos de SRAG notificados, 220 evoluíram para óbito. Destes, 64 (29,5%) foram confirmados por Influenza, sendo 54 (85,7%) pelo subtipo A (H1N1) pdm09, 5 (7,9%) pelo subtipo A (H3N2), 3 (4,8%) não foram subtipados, 1 (1,6%) por influenza B e 1 (1,6%) encerrado por vínculo epidemiológico por ter tido contato com duas pessoas laboratorialmente confirmadas com influenza.

Outros 141 (65,0%) óbitos tiveram resultado negativo para os vírus Influenza A e B, sendo classificados como SRAG não especificada e 15 (6,9%) por outros vírus respiratórios como mostram os dados da Tabela 4.

 



Os óbitos confirmados por SRAG Influenza acometeram pacientes residentes em: Jaraguá do Sul com 7 casos; Joinville com 6 casos, Tubarão com 4 casos; Blumenau e Chapecó com 3 casos cada; Balneário Camboriú, Criciúma, Florianópolis, Palhoça, Rio Negrinho, São Bento do Sul, São José e  São Miguel do Oeste com 2 casos cada; Águas Mornas, Alfredo Wagner, Armazém, Biguaçu, Brusque, Camboriú, Campos Novos, Canoinhas, Descanso, Fraiburgo, Governador Celso Ramos, Guabiruba, Itapema, Lages, Mafra, Meleiro, Peritiba, Pomerode, São Francisco do Sul, São João Batista, São Joaquim, São Lourenço do Oeste, Seara, Tangará e Tunápolis, com 1 caso cada.

Em relação à faixa etária, houve 1 caso de 5 a 9 anos; 1 caso de 10 a 19 anos; 1 caso de 20 a 29 anos; 3 casos de 30 a 39 anos; 9 casos em pessoa de 40 a 49 anos; 20 casos entre 50 a 59 anos e 29 casos em pessoas acima de 60 anos, de acordo com a Tabela 5.

 

Dentre os indivíduos que evoluíram para óbito por influenza (64 óbitos), 53 (82,8%) apresentaram pelo menos um fator de risco para agravamento, destacando-se: 29 (54,7%), adulto > 60 anos, 22 (41,5%) com doença cardiovascular crônica e 17 (32,1%) com diabetes mellitus.

 

Do total de óbitos, 52 pacientes fizeram uso de Oseltamivir, sendo 28 até 4 dias após o início dos sintomas, 24 entre 6 e 22 dias e 12 não fizeram uso do medicamento.

 

Comparação de casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza 2016-2019

O monitoramento dos casos de SRAG confirmados por influenza, por meio do SINAN Influenza Web,indica que, em 2016, houve um aumento no número de casos confirmados de SRAG por influenza a partir da SE 9 (28/2 a 5/3), com um pico na SE 14 (3 a 9/4), logo após, verifica-se uma queda no número de casos até a SE 21 (22 a 28/5). Em 2017, até a SE 52, os casos apresentados permaneceram dentro do esperado para o período. Em 2018, os casos seguiram a mesma tendência de 2017, e houve uma cocirculação de ambos os vírus Influenza tipo A, observa-se, ainda, a partir da SE 24 (10 a 16/06), um aumento de casos que decaem a partir da SE 29. Em 2019, até o momento a circulação do vírus está dentro do esperado para o período, com predomínio do vírus Influenza A (H1N1) pdm09.

 

Os meses de janeiro a abril sempre foram meses de baixa circulação do vírus influenza em Santa Catarina, tendo sido confirmados, nesse período, 8 casos em 2012, 21 casos em 2013, 7 casos em 2014 e 6 casos em 2015. Em 2016, nesse período, foram confirmados 404 casos de SRAG por influenza, uma ocorrência atípica para esse tipo de vírus. Os meses de maio a agosto são aqueles em que, historicamente, há maior circulação do vírus influenza, e a ocorrência de casos em 2016 acompanhou a tendência histórica. Em 2017, os números acompanham as tendências apresentadas até o ano de 2015 e, a partir do mês de agosto, registramos historicamente nova queda no número de casos pela diminuição da circulação do vírus. Em 2018, os números ficaram dentro do limite histórico esperado para o período, com um aumento concentrado a partir do mês de junho e a partir de agosto há a tendência de diminuição do número de casos. Em 2019 os casos estão dentro do esperado para o período, de acordo com a Tabela 7.

 

Em relação aos tipos de vírus influenza predominantes em Santa Catarina, em 2012 houve o predomínio do vírus influenza A (H1N1) pdm09, com 722 casos e 75 óbitos. Em 2013, o vírus influenza A (H1N1) pdm09 também predominou, com 229 casos e 34 óbitos; no entanto, os casos de influenza A (H3N2) também foram significativos, apresentando 133 casos e 6 óbitos. Em 2014, ocorreu um predomínio na circulação do vírus influenza A (H3N2), com 146 casos e 9 óbitos. Em 2015, ocorreu uma baixa circulação de ambos os vírus. Em 2016, houve o predomínio do vírus influenza A (H1N1) pdm09, com 722 casos e 114 óbitos. Em 2017, o vírus que circulou foi o A (H3N2). Em 2018, os vírus que circularam foram os da Influenza A (H3N2), Influenza A (H1N1) pdm09 e Influenza B. Em 2019 até o momento estão circulando são influenza A H1N1 e H3N2, como se pode ver na Tabela 8.

  

 

*A notificação de Influenza encerrada por vínculo epidemiológico, se refere a um paciente de Jaraguá do Sul com todos os sinais e sintomas de síndrome respiratória aguda grave, o qual não foi possível coletar a amostra clínica para diagnóstico laboratorial, porém, foi contato domiciliar com dois casos (óbitos) laboratorialmente confirmados por Influenza A (H1N1).

 Vigilância sentinela da influenza

 

A vigilância da influenza no Brasil é composta pela sentinela de síndrome gripal (SG), de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e pela vigilância universal de SRAG.

A vigilância sentinela conta com uma rede de unidades distribuídas em todas as regiões geográficas do país e tem como objetivo principal identificar os vírus circulantes, além de permitir o monitoramento da demanda de atendimento por essa doença. Os dados são coletados por meio de formulários padronizados e inseridos no sistema de informação online SIVEP-GRIPE. Atualmente, estão ativas 252 Unidades Sentinelas, sendo 140 de SG, 112 de SRAG em UTI e 17 sentinelas mistas de ambos os tipos. Em Santa Catarina, temos 7 Unidades Sentinelas em três municípios:

  •  Joinville: 2 Unidades Sentinelas de SRAG (Hospital Regional Hans Dieter Schmidt e Hospital Jeser Amarante Faria) e 1 unidade de SG (UPA 24h. Aventureiro);
  •  Florianópolis: 2 Unidades Sentinelas de SRAG (Hospital Nereu Ramos e Hospital Infantil Joana de Gusmão) e 1 de SG (UPA Sul da Ilha);
  •  São José: 1 Unidade de SG no Hospital Regional Homero de Miranda Gomes.

Considerações Finais 

Em 2019, até o momento, os registros de casos de Influenza estão dentro do esperado para o período.  Pelos dados notificados verifica-se, a circulação predominante do vírus influenza A (H1N1)pdm 09 e em menor número o vírus influenza A H3N2.

O perfil de casos mostra a importância de a população procurar o serviço de saúde mais próximo da residência aos primeiros sinais e sintomas de gripe para o tratamento adequado, em especial os portadores de fatores de risco para agravamento e óbito (idosos, crianças, doentes crônicos etc.), pois estes têm maior probabilidade de apresentar complicações quando infectados pelo vírus Influenza.

Apesar do vírus influenza intensificar-se no período de maio a agosto (inverno), ele circula todos os meses do ano, portanto, devem ser reforçadas as medidas de prevenção, principalmente lavar as mãos com frequência e evitar ambientes fechados e com aglomeração de pessoas. Também é necessário manter superfícies e objetos que entram em contato frequente com as mãos, como mesas, teclados, maçanetas e corrimãos, limpos com álcool, e não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos e talheres.

Os serviços de saúde devem estar sempre preparados para promover o atendimento adequado aos casos de Síndrome Gripal, reforçando as medidas de manejo clínico dos casos. O uso do antiviral (Oseltamivir) está indicado para todos os casos de síndrome gripal com condições e fatores de risco para complicações e de síndrome respiratória aguda grave, independentemente da situação vacinal ou da confirmação laboratorial. Nos pacientes com síndrome gripal sem condições e fatores de risco para complicações, a indicação do antiviral deve ser baseada em julgamento clínico, recomenda-se o tratamento ser iniciado nas primeiras 48 horas após o início da doença.

A terapêutica precoce reduz tanto os sintomas quanto a ocorrência de complicações da infecção pelos vírus da influenza, tanto em pacientes com condições e fatores de risco para complicações bem como naqueles com síndrome respiratória aguda grave. O antiviral apresenta benefícios mesmo se administrado após 48 horas do início dos sintomas.

A gripe causada pelo vírus influenza é uma doença grave que causa danos à saúde das pessoas há muitos séculos. É transmitida a partir das secreções respiratórias, podendo também sobreviver de minutos a horas no ambiente, sobretudo em superfícies tocadas frequentemente. A partir do contato com um doente ou superfície contaminada, o vírus pode penetrar pelas vias respiratórias, causando lesão que pode ser grave e até fatal, se não tratada a tempo.

A 21ª Campanha de Vacinação contra Influenza exclusiva para os grupos prioritários acabou no dia 31 de maio. A partir do dia 3 de junho, o Ministério da Saúde ampliou a vacinação para todas as faixas etárias devido à baixa cobertura vacinal, não houve envio de novas doses de vacina aos estados. As doses utilizadas foram as que restaram da Campanha de Vacinação.

O público-alvo da campanha em 2019 compreendeu: crianças entre 6 meses e 6 anos; gestantes; puérperas – até 45 dias após o parto; indivíduos com 60 anos ou mais; trabalhadores da saúde; professores do ensino infantil, fundamental e médio de escolas públicas e privadas e do ensino superior público e privado; povos indígenas; grupos portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas; população privada de liberdade; funcionários do sistema prisional; e policiais civis, militares, bombeiros e forças armadas da ativa. Salienta-se a importância da vacinação para prevenir o agravamento dos casos e a não disseminação para a população de risco.

A cobertura vacinal do estado foi de 87,25% e a meta era de 90%. Quando se estratifica a cobertura verifica-se que foi atingida a cobertura nos idosos que é uma das categorias que mais tem risco de adoecerem pela influenza, abaixo a cobertura vacinal com as porcentagens alcançadas.  

A vacinação contra influenza mostra-se como uma das medidas mais efetivas para a prevenção da influenza grave e de suas complicações. As vacinas utilizadas nas campanhas nacionais de vacinação contra a influenza do PNI são trivalentes que contêm os antígenos purificados de duas cepas do tipo A e uma B, sem adição de adjuvantes e sua composição é determinada pela OMS para o hemisfério sul, de acordo com as informações da vigilância epidemiológica.

 

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