DIVE/SC esclarece: Santa Catarina não vive um surto de meningite

Diante dos recentes casos de meningite que foram notificados no estado, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina, vinculada à Superintendência de Vigilância em Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde Santa Catarina esclarece que o estado não vive um surto de meningite.

A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal e pode ser causada por vírus, bactérias, fungos, entre outros agentes infecciosos. As meningites mais comuns são as virais e as bacterianas.

As virais são menos agressivas e os principais sintomas são parecidos com os de viroses como: febre, diarreia, dor de cabeça, náusea, vômito, além de rigidez na nuca. Os pacientes acometidos por meningites virais costumam se curar sem sequelas.

Já as bacterianas são extremamente graves e, se não forem tratadas rapidamente, podem deixar sequelas e até levar à morte. Várias bactérias podem provocar meningite. Um dos tipos mais graves é a causada pela bactéria chamada Neisseria meningitidis (meningococo). Esta bactéria é transmitida por meio das vias respiratórias, no contato com secreções, gotículas do nariz e da garganta expelidas pela fala, tosse e espirro.

Na população, encontramos um grande número de pessoas que tem o causador deste tipo de meningite na garganta, mesmo sem ficar doente ou apresentar sintomas. Essas pessoas são chamadas de “portadores sãos” e transmitem a bactéria para outras pessoas pelo contato próximo (moradores da mesma casa, pessoas que compartilham o quarto ou que ficam diretamente expostas às secreções) e essas pessoas podem acabar desenvolvendo a doença.

Quando a vigilância epidemiológica detecta um caso suspeito ou confirmado da doença meningocócica, é feita a quimioprofilaxia - administração de antibiótico capaz de prevenir a infecção, evitando assim a transmissão para mais pessoas -, em todos os contatos próximos do paciente para evitar novos casos. Essa bactéria possui diversos sorogrupos. Em Santa Catarina, os sorogrupos circulantes são o B, C ,Y e W.

Outro tipo de meningite bacteriana grave é a causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae (pneumococo). A grande diferença dessa bactéria é que não ela não é transmissível, pois faz parte da flora normal do corpo humano, ou seja, todo mundo tem. No entanto, se a pessoa tem uma amidalite ou sinusite, por exemplo, o estado de saúde dessa pessoa pode se complicar e levar a esse tipo de meningite. Então, diferentemente da meningite bacteriana causada pelo meningococo, a meningite bacteriana causada pelo pneumococo não tem capacidade de gerar surtos, por esse motivo as medidas de quimioprofilaxia não são necessárias.

Os principais sintomas da meningite bacteriana são: febre alta que começa abruptamente, dor de cabeça intensa e contínua, vômito, náuseas, rigidez de nuca. Em crianças menores de um ano de idade, esses sintomas podem não ser tão evidentes e os pais ou responsáveis devem atentar para a presença de moleira tensa ou elevada, irritabilidade, inquietação com choro agudo e persistente e rigidez corporal com ou sem convulsões.

A Neisseria meningitidis (meningococo) pode causar meningite e meningococcemia. A segunda é uma infecção na corrente sanguínea causada pela bactéria Neisseria meningitidis. Por isso, além dos sintomas descritos acima, podem aparecer outros como: cansaço, mão e pés frios, calafrios, dores severas ou dores nos músculos, articulações, peito ou abdômen (barriga); respiração rápida; diarreia e, manchas vermelhas ou arroxeadas na pele, ou mesmo hematoma pelo corpo.


Prevenção


No caso da meningite causada pela Neisseria meningitidis (meningococo) a propagação é facilitada em ambientes fechados e/ou sem ventilação. Pessoas residentes na mesma casa, que compartilham dormitórios ou alojamento, podem se infectar. A transmissão também pode ocorrer em creches, escolas, locais em que há aglomeração de pessoas.

Por isso, algumas medidas de prevenção são importantes: manter os ambientes bem ventilados e, se possível, ensolarados, principalmente salas de aula, quartos, locais de trabalho e transporte coletivo; lavar as mãos frequentemente com água e sabão; manter rigorosa higiene com pratos, talheres, mamadeiras e chupetas; e evitar aglomerações.

Além disso, é de extrema importância manter a carteira de vacinação em dia. No calendário de vacinação da criança do Programa Nacional de Imunização estão disponíveis:

- Vacina Pentavalente: previne difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite e infecções por HiB Crianças: 1ª dose (2 meses) / 2ª dose (6 meses) / 3ª dose (6 meses)

- Vacina Pneumocócica 10 valente conjugada: previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo pneumococo Crianças: 1ª dose (2 meses) / 2ª dose (4 meses) / reforço (12 meses)

- Vacina Meningocócica C conjugada: previne doença meningocócica C
Crianças: 1ª dose (3 meses) / 2ª dose (5 meses) / reforço (12 meses) Adolescentes: reforço ou dose única entre 11 e 14 anos

- a vacina BCG: previne as formas graves de tuberculose, principalmente miliar e meníngea
Crianças: dose única ao nascer


Vacina ACWY


O Ministério da Saúde (MS) já está ciente dos casos de meningite bacteriana causada pela Neisseria meningitidis (meningococo), em Santa Catarina, dos demais sorogrupos B, C ,Y e W e aguarda orientação do órgão federal quanto a oferta da vacina na rede pública de saúde.

 

Casos de meningite bacteriana causada pela Neisseria meningitidis (meningococo) em 2019

 

Até o dia 24 de junho de 2019, foram confirmados 20 casos de doença meningocócica em Santa Catarina. Blumenau, Itajaí, Lages e Itapema concentram o maior número de casos, 2 em cada município. Em Balneário Camboriú, Bombinhas, Criciúma, Fraiburgo, Garopaba, Imbituba, Jaraguá do Sul, Navegantes, Palhoça, Porto União, São Francisco e Turvo, foram identificados 1 caso em cada município. Três pessoas morreram.

Dos 20 casos confirmados de DM, 6 foram identificados como sendo do sorogrupo W, 5 foram do sorogrupo C e 5 do sorogrupo B. O sorogrupo Y foi identificado em apenas 1 caso. Em outros 3 casos, o sorogrupo não foi identificado.

Dos 3 óbitos, 1 foi identificado como sendo do sorogrupo W, 1 do sorogrupo B e 1 do sorogrupo C.

- Mulher, 18 anos, residente em Lages (W)
- Bebê, 9 meses, residente em Jaraguá do Sul (B)
- Mulher, 12 anos, residente em Imbituba (C)

 


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