Informe Epidemiológico n°05/2019 – Vigilância da Influenza (Atualizado em 10 de maio de 2019)

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Vigilância Universal da Influenza

Os dados contidos neste informe são oriundos da vigilância universal de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que monitora os casos hospitalizados e óbitos com o objetivo de identificar o comportamento do vírus influenza, orientando os órgãos de saúde na tomada de decisão frente à ocorrência de casos graves de SRAG causados pelo  

Os dados são coletados pelas Secretarias Municipais de Saúde por meio de formulários padronizados e inseridos no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe: SIVEP Gripe. As amostras laboratoriais são coletadas e encaminhadas para a análise no Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina (LACEN/SC). 

As informações apresentadas neste informe são referentes ao período que compreende as semanas epidemiológicas (SE) 01 a 19 de 2019, ou seja, casos com início de sintomas em 30/12/2018 até os registrados em 10/05/2019

A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) abrange casos de síndrome gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória que, na maioria dos casos, leva à hospitalização, sem outra causa específica. As causas podem ser vírus respiratórios, dentre os quais predominam os da influenza do tipo A e B, ou bactérias, fungos e outros agentes.

Perfil epidemiológico

Vigilância universal de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em Santa Catarina

De 30 de dezembro de 2018 a 10 de maio de 2019 (SE 19), foram notificados 345 casos suspeitos de SRAG em Santa Catarina. Destes, 32 (9,3%) foram confirmados para influenza, sendo 26 (81,3%) pelo vírus A (H1N1) pdm09 e 06 (18,8%) pelo vírus A (H3N2). Outros 201 (58,3%) casos de SRAG tiveram resultado negativo para influenza A e B (SRAG não especificada), 70 (20,3%) casos de SRAG foram ocasionados por outro vírus respiratório e 42 (12,2%) casos se encontram em investigação, aguardando confirmação laboratorial, conforme a Tabela 1.

Tabela 1: Casos de SRAG segundo classificação final e agente etiológico. Santa Catarina, 2019.


Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 10/05/2019). * Dados sujeitos a alterações.

Os municípios que apresentaram casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza foram: Blumenau com 6 casos; Florianópolis, com 4 casos; Chapecó, Itajaí e Joinville, com 3 casos cada; Jaraguá do Sul e Tubarão, com 2 casos cada; Braço do Norte, Brusque, Camboriú, Criciúma, Lages, Maravilha, Palhoça, Pomerode e São José, com 1 caso cada; como ilustra a Figura 1.

Figura 1: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo município de residência. SC. 2019

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 10/05/2019). * Dados sujeitos a alterações.

Em relação à idade, os casos de SRAG confirmados por influenza acometeram indivíduos nas faixas etárias entre menor de 2 anos (2 casos); de 2 a 4 anos (2 casos); de 5 a 9 anos (1 caso); de 10 a 19 (2 casos); de 20 a 29 anos (1 caso); de 30 a 39 anos (2 casos); de 40 a 49 anos (6 casos); de 50 a 59 (6 casos) e acima de 60 anos (10 casos), como se pode ver na Tabela 2.

Tabela 2: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo faixa etária (em anos) e subtipo viral. SC, 2019

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 10/05/2019). * Dados sujeitos a alterações.

Dos 32 casos de SRAG confirmados como influenza, 22 apresentaram algum fator de risco associado, dos quais 10 (45,5%) eram idosos (acima de 60 anos); 2 (9,1%) crianças menores de 2 anos; 1 (4,5%) obeso e 9 (40,9%) eram portadores de doenças crônicas como descreve a Tabela 3. Desses, 25 evoluíram para a cura, 3 foram a óbito e 4 estão aguardando evolução do caso. Dos pacientes que evoluíram para a cura, 15 fizeram uso do antiviral Oseltamivir(Tamiflu) em média, três dias após o início dos sintomas de síndrome gripal (febre, tosse ou dor de garganta e, pelo menos, mais um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia).

Tabela 3: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo fatores de risco. SC, 2019.


Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 10/05/2019). * Dados sujeitos a alterações.

Perfil dos óbitos em Santa Catarina

Até o dia 10/05/2018, dos 345 casos notificados de SRAG, 32 evoluíram para óbito, 3 (9,4%) confirmado pelo vírus Influenza A (H1N1); 27 (84,4%) tiveram resultado negativo para os vírus influenza A e B, sendo classificados como SRAG não especificada; 01 SRAG por outros vírus respiratórios e 01 está aguardando resultado do laboratório, conforme a Tabela 4.

Tabela 4: Óbitos de SRAG segundo classificação final e agente etiológico. Santa Catarina, 2019.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 10/05/2019). * Dados sujeitos a alterações.

Os óbitos confirmados por SRAG Influenza acometeram pacientes residentes em: Blumenau, Jaraguá do Sul e Tubarão com 1 caso cada.

Em relação à faixa etária, houve 1 caso em pessoa de 40 a 49 anos; 1 caso entre 50 a 59 anos e 1 caso em pessoa acima de 60 anos, de acordo com a Tabela 5.

Tabela 5: Óbitos confirmados de SRAG por influenza segundo faixa etária (em anos) e subtipo viral. SC, 2019.


Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 10/05/2019). * Dados sujeitos a alterações.

Os 3 óbitos confirmados por SRAG por influenza apresentaram algum fator de risco para agravamento. Desses, 2 pacientes fizeram uso de Oseltamivir até 4 dias após o início dos sintomas e 1 fez uso somente após 7 dias do início dos sintomas.

Comparação de casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza 2016-2019

O monitoramento dos casos de SRAG confirmados por influenza, por meio do SINAN Influenza Web,indica que, em 2016, observa-se um aumento no número de casos confirmados de SRAG por influenza a partir da SE 9 (28/2 a 5/3), com um pico na SE 14 (3 a 9/4), logo após, verifica-se uma queda no número de casos até a SE 21 (22 a 28/5). Em 2017, até a SE 52, os casos apresentados permaneceram dentro do esperado para o período. Em 2018, os casos seguiram a mesma tendência de 2017, e houve uma cocirculação de ambos os vírus Influenza tipo A. Observa-se, ainda, a partir da SE 24 (10 a 16/06), um aumento de casos que decaem a partir da SE 29. Em 2019 ainda há uma baixa circulação de vírus influenza e não é possível precisar como será o período de sazonalidade, de acordo com o Gráfico 1.

Gráfico 1: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo Semana Epidemiológica (SE) do início dos sintomas. SC, 2016-2019. *

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 10/05/2019). * Dados sujeitos a alterações.

Os meses de janeiro a abril sempre foram meses de baixa circulação do vírus influenza em Santa Catarina, tendo sido confirmados, nesse período, 8 casos em 2012, 21 casos em 2013, 7 casos em 2014 e 6 casos em 2015. Em 2016, nesse período, foram confirmados 404 casos de SRAG por influenza, uma ocorrência atípica para esse tipo de vírus. Os meses de maio a agosto são aqueles em que, historicamente, há maior circulação do vírus influenza, e a ocorrência de casos em 2016 acompanhou a tendência histórica. Em 2017, os números acompanham as tendências apresentadas até o ano de 2015 e, a partir do mês de agosto, registramos historicamente nova queda no número de casos pela diminuição da circulação do vírus. Em 2018, os números ficaram dentro do limite histórico esperado para o período, com um aumento concentrado a partir do mês de junho e a partir de agosto há a tendência de diminuição do número de casos. Em 2019, os casos estão dentro do esperado para o período, de acordo com a Tabela 6.

Tabela 6: Casos confirmados de SRAG por influenza de acordo com o mês de início dos sintomas. SC, 2012-2019.


Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 10/05/2019). * Dados sujeitos a alterações.

Em relação aos tipos de vírus influenza predominantes em Santa Catarina, em 2012 houve o predomínio do vírus influenza A (H1N1) pdm09, com 722 casos e 75 óbitos. Em 2013, o vírus influenza A (H1N1) pdm09 também predominou, com 229 casos e 34 óbitos; no entanto, os casos de influenza A (H3N2) também foram significativos, apresentando 133 casos e 6 óbitos. Em 2014, ocorreu um predomínio na circulação do vírus influenza A (H3N2), com 146 casos e 9 óbitos. Em 2015, ocorreu uma baixa circulação de ambos os vírus. Em 2016, houve o predomínio do vírus influenza A (H1N1) pdm09, com 722 casos e 114 óbitos. Em 2017, o vírus que circulou foi o A (H3N2). Em 2018, os vírus que circularam foram os da Influenza A (H3N2), Influenza A (H1N1) pdm09 e Influenza B. Em 2019, até o momento, estão circulando são influenza A H1N1 e H3N2, como se pode ver na Tabela 7.

Tabela 7: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo classificação final. SC, 2012-2019. *

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 10/05/2019). * Dados sujeitos a alterações.

Vigilância sentinela da influenza

A vigilância da influenza, no Brasil, é composta pela sentinela de síndrome gripal (SG), de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e pela vigilância universal de SRAG.

A vigilância sentinela conta com uma rede de unidades distribuídas em todas as regiões geográficas do país e tem como objetivo principal identificar os vírus circulantes, além de permitir o monitoramento da demanda de atendimento por essa doença. Os dados são coletados por meio de formulários padronizados e inseridos no sistema de informação online SIVEP-GRIPE. Atualmente, estão ativas 252 Unidades Sentinelas, sendo 140 de SG, 112 de SRAG em UTI e 17 sentinelas mistas de ambos os tipos. Em Santa Catarina, temos 7 Unidades Sentinelas em três municípios:

  • Joinville: 2 Unidades Sentinelas de SRAG (Hospital Regional Hans Dieter Schmidt e Hospital Jeser Amarante Faria) e 1 unidade de SG (UPA 24h. Aventureiro);
  • Florianópolis: 2 Unidades Sentinelas de SRAG (Hospital Nereu Ramos e Hospital Infantil Joana de Gusmão) e 1 de SG (UPA Sul da Ilha);
  • São José: 1 Unidade de SG no Hospital Regional Homero de Miranda Gomes.

Considerações Finais

Em 2019, até o momento, há registro casos de Influenza dentro do esperado para o período que antecede a sazonalidade, que se inicia a partir do início de maio e permanecendo até o final de agosto. Em 2018, os registros de casos de influenza ficaram dentro do esperado para o período de sazonalidade, que vai do início de maio até o final de agosto. Houve o predomínio dos vírus Influenza A (H1N1) e Influenza A (H3N2) acometendo idosos e adultos portadores de comorbidades (doenças crônicas), indicando uma tendência de cocirculação desses dois subtipos de vírus. No ano de 2017, o predomínio foi quase absoluto do subtipo A (H3N2).

O perfil de casos mostra a importância de a população procurar o serviço de saúde mais próximo da residência aos primeiros sinais e sintomas de gripe para o tratamento adequado, em especial os portadores de fatores de risco para agravamento e óbito (idosos, crianças, doentes crônicos etc.), pois estes têm maior probabilidade de apresentar complicações quando infectados pelo vírus Influenza.

Apesar de o vírus influenza intensificar-se no período de maio a agosto (inverno), ele circula todos os meses do ano, portanto, devem ser reforçadas as medidas de prevenção, principalmente lavar as mãos com frequência e evitar ambientes fechados e com aglomeração de pessoas. Também é necessário manter superfícies e objetos que entram em contato frequente com as mãos, como mesas, teclados, maçanetas e corrimãos, limpos com álcool, e não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos e talheres.

Os serviços de saúde devem estar sempre preparados para promover o atendimento adequado aos casos de Síndrome Gripal, reforçando as medidas de manejo clínico dos casos. O uso do antiviral (Oseltamivir) está indicado para todos os casos de síndrome gripal com condições e fatores de risco para complicações e de síndrome respiratória aguda grave, independentemente da situação vacinal ou da confirmação laboratorial. Nos pacientes com síndrome gripal sem condições e fatores de risco para complicações, a indicação do antiviral deve ser baseada em julgamento clínico, recomenda-se o tratamento ser iniciado nas primeiras 48 horas após o início da doença.

A terapêutica precoce reduz tanto os sintomas quanto a ocorrência de complicações da infecção pelos vírus da influenza, tento em pacientes com condições e fatores de risco para complicações bem como naqueles com síndrome respiratória aguda grave. O antiviral apresenta benefícios mesmo se administrado após 48 horas do início dos sintomas.

A gripe causada pelo vírus influenza é uma doença grave que causa danos à saúde das pessoas há muitos séculos. É transmitida a partir das secreções respiratórias, podendo também sobreviver de minutos a horas no ambiente, sobretudo em superfícies tocadas frequentemente. A partir do contato com um doente ou superfície contaminada, o vírus pode penetrar pelas vias respiratórias, causando lesão que pode ser grave e até fatal, se não tratada a tempo.

A 21ª Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza em Santa Catarina está sendo realizada entre os dias 10 de abril a 31 de maio. O dia 4 de maio foi o dia D de mobilização nacional. Salienta-se a importância da vacinação para prevenir o agravamento dos casos e a não disseminação para a população de risco.

O público-alvo da campanha em 2019 compreende: crianças entre 6 meses e 6 anos; gestantes; puérperas – até 45 dias após o parto; indivíduos com 60 anos ou mais; trabalhadores da saúde; professores do ensino infantil, fundamental e médio de escolas públicas e privadas e do ensino superior público e privado; povos indígenas; grupos portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas; população privada de liberdade; funcionários do sistema prisional; e policiais civis, militares, bombeiros e forças armadas da ativa.

OUTRAS INFORMAÇÕES

 


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