Informe Epidemiológico n°01/2018 – Vigilância da influenza (Atualizado em 16 de março de 2018)

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A vigilância da influenza, no Brasil, é composta pela sentinela de síndrome gripal (SG), de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e pela vigilância universal de SRAG.

A vigilância sentinela conta com uma rede de unidades distribuídas em todas as regiões geográficas do país e tem como objetivo principal identificar os vírus circulantes, além de permitir o monitoramento da demanda de atendimento por essa doença. Os dados são coletados por meio de formulários padronizados e inseridos no sistema de informação online SIVEP-GRIPE. Atualmente, estão ativas 252 Unidades Sentinelas, sendo 140 de SG, 112 de SRAG em UTI e 17 sentinelas mistas de ambos os tipos. Em Santa Catarina, temos 7 Unidades Sentinelas em três municípios:

  • Joinville: 2 Unidades Sentinelas de SRAG (Hospital Regional Hans Dieter Schmidt e Hospital Jeser Amarante Faria) e 1 unidade de SG (UPA 24h Aventureiro);
  • Florianópolis: 2 Unidades Sentinelas de SRAG (Hospital Nereu Ramos e Hospital Infantil Joana de Gusmão) e 1 de SG (UPA Sul da Ilha);
  • São José: 1 Unidade de SG no Hospital Regional Homero de Miranda Gomes.

 

Vigilância universal da influenza

Os dados contidos neste informe são oriundos da vigilância universal de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que monitora os casos hospitalizados e óbitos com o objetivo de identificar o comportamento do vírus influenza, orientando os órgãos de saúde na tomada de decisão frente à ocorrência de casos graves de SRAG causados pelo vírus.

Os dados são coletados pelas Secretarias Municipais de Saúde por meio de formulários padronizados e inseridos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação on-line: SINAN Influenza Web. As amostras laboratoriais são coletadas e encaminhadas para a análise no LACEN/SC.

As informações apresentadas neste informe são referentes ao período que compreende as semanas epidemiológicas (SE) 01 a 11 de 2018, ou seja, casos com início de sintomas em 31/12/2017 até os registrados em 17/03/2018.               .

A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) abrange casos de síndrome gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória que, na maioria dos casos, leva à hospitalização, sem outra causa específica. As causas podem ser vírus respiratórios, dentre os quais predominam os da influenza do tipo A e B, ou bactérias, fungos e outros agentes.

                                                

Vigilância universal de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em Santa Catarina

De 31 de dezembro de 2017 a 17 de março de 2018 (SE 11), foram notificados 46 casos suspeitos de SRAG em Santa Catarina. Destes, 7 (15,2%) foram confirmados para influenza, sendo 5 (71,4%) pelo vírus A (H3N2) e 2 (28,6%) pelo vírus influenza B. Outros 26 (56,5%) casos de SRAG tiveram resultado negativo para influenza A e B (SRAG não especificada), 4 (8,7%) casos de SRAG foram ocasionados por outro vírus respiratório e 9 (19,6%) casos se encontram em investigação, aguardando confirmação laboratorial, conforme a Tabela 1.

 

Tabela 1: Casos de SRAG segundo classificação final e agente etiológico. Santa Catarina, 2018.

 

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 17/03/2018). Dados sujeitos a alterações.

 

Os municípios que apresentaram casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza foram: Florianópolis, com 3 casos; Joinville, Lebon Régis, Tijucas e Tubarão com 1 caso cada, como ilustra a Figura 1.

 

Figura 1: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo município de residência. SC. 2018

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 17/03/2018). Dados sujeitos a alterações.

 

Em relação à idade, os casos de SRAG confirmados por influenza acometeram indivíduos nas faixas etárias entre 10 e 19 anos (1 caso), de 20 a 29 (2 casos), de 30 a 39 (1 caso), de 50 a 59 (1 caso) e acima de 60 anos (2 casos), como se pode ver na Tabela 2.

 

TABELA 2: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo faixa etária (em anos) e subtipo viral. SC, 2018

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 17/03/2018). Dados sujeitos a alterações.

 

Dos 7 casos de SRAG confirmados como influenza, 5 apresentaram algum fator de risco associado, dos quais 2 (40,0%) eram idosos (acima de 60 anos) e 2 (40,0%) eram portadores de doenças crônicas, além de 1 gestante, como descreve a Tabela 3. Desses, 5 evoluíram para a cura, 1 ainda está aguardando a evolução e 1 foi a óbito. Dos pacientes que evoluíram para a cura, 1 não fez uso do antiviral Oseltamivir(Tamiflu) e 4 fizeram uso de antiviral, em média, três dias após o início dos sintomas de síndrome gripal (febre, tosse ou dor de garganta e, pelo menos, mais um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia).

 

TABELA 3: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo fatores de risco. SC, 2018.

 

 Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 17/03/2018). Dados sujeitos a alterações.

 

Perfil dos óbitos em Santa Catarina

Até o dia 17/03/2018, dos 46 casos notificados de SRAG, 7 evoluíram para óbito, sendo 1 (14,3%) confirmado pelo vírus Influenza A(H3N2), 4 (57,1%) tiveram resultado negativo para os vírus influenza A e B, sendo classificados como SRAG não especificada, e 2 casos (28,6%) foram diagnosticados como SRAG por outros vírus respiratórios, conforme a Tabela 4.

 

Tabela 4: Óbitos de SRAG segundo classificação final e agente etiológico. Santa Catarina, 2018.

 

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 17/03/2018). Dados sujeitos a alterações.

 

O óbito confirmado pelo vírus Influenza A(H3N2) ocorreu no mês de janeiro. O paciente era residente no município de Florianópolis, com 72 anos, portador de pneumopatia crônica, imunodeficiência/imunodepressão e câncer de pulmão e fez uso de Oseltamivir um dia após o início dos sintomas.

 

Comparação de casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza 2015-2018

O monitoramento dos casos de SRAG confirmados por influenza, por meio do SINAN Influenza Web,indica que, no período de 2015, o aumento na detecção de casos iniciou na última semana do mês de abril (SE 16). Já em 2016, observa-se um aumento no número de casos confirmados de SRAG por influenza a partir da SE 9 (28/2 a 5/3), com um pico na SE 14 (3 a 9/4), logo após, verifica-se uma queda no número de casos até a SE 21 (22 a 28/5). Em 2017, até a SE 52, os casos apresentados permaneceram dentro do esperado para o período. Em 2018, devido ao reduzido número de casos, não é possível precisar como será o comportamento da doença. Esses dados podem ser vistos na Figura 3.

 

Figura 3: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo Semana Epidemiológica (SE) do início dos sintomas. SC, 2015-2018.*

 

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 17/03/2018). Dados sujeitos a alterações.

 

Os meses de janeiro a abril sempre foram meses de baixa circulação do vírus influenza em Santa Catarina, tendo sido confirmados, nesse período, 8 casos em 2012, 21 casos em 2013, 7 casos em 2014 e 6 casos em 2015. Em 2016, nesse período, foram confirmados 404 casos de SRAG por influenza, uma ocorrência atípica para esse tipo de vírus. Os meses de maio a agosto são aqueles em que, historicamente, há maior circulação do vírus influenza, e a ocorrência de casos em 2016 acompanhou a tendência histórica. Em 2017, os números acompanham as tendências apresentadas até o ano de 2015 e, a partir do mês de agosto, registramos historicamente nova queda no número de casos pela diminuição da circulação do vírus. Esses números podem ser acompanhados na Tabela 7.

 

TABELA 7: Casos confirmados de SRAG por influenza de acordo com o mês de início dos sintomas. SC, 2012-2017.

 

 Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 17/03/2018). Dados sujeitos a alterações.

 

Em relação aos tipos de vírus influenza predominantes em Santa Catarina, em 2012 houve o predomínio do vírus influenza A(H1N1)pdm09, com 722 casos e 75 óbitos. Em 2013, o vírus influenza A(H1N1)pdm09 também predominou, com 229 casos e 34 óbitos; no entanto, os casos de influenza A(H3N2) também foram significativos, apresentando 133 casos e 6 óbitos. Em 2014, ocorreu um predomínio na circulação do vírus influenza A(H3N2), com 146 casos e 9 óbitos. Em 2015, ocorreu uma baixa circulação de ambos os vírus. Em 2016, houve o predomínio do vírus influenza A(H1N1)pdm09, com 722 casos e 114 óbitos. Em 2017, o vírus que circulou foi o A(H3N2). Em 2018, até o momento, o vírus que está circulando é o A(H3N2). Essas informações podem ser observadas na Tabela 8.

 

TABELA 8: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo classificação final. SC, 2012-2018.*

 

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 17/03/2018). Dados sujeitos a alterações.

 

Ao comparar os casos de SRAG por influenza nos anos de 2016 e 2017, conforme as Tabelas 9 e 10, percebe-se que seu comportamento tem características específicas em relação aos vírus circulantes e distintas quanto à virulência. Em 2016, no estado de SC, o vírus que preponderou tanto em número de casos como de óbitos foi o Influenza A(H1N1)pdm09. Em 2017, o vírus com maior circulação foi o Influenza A(H3N2), responsável por 78,5% dos casos e 76,3% dos óbitos. Em ambos os anos, percebe-se a circulação do vírus Influenza B durante todos os meses do ano, porém ela se evidencia mais quando há uma baixa circulação de Influenza A.

Com base nesses dados, conclui-se que, em Santa Catarina, o vírus Influenza A circula de forma alternada ao longo dos anos, como é característico da doença dentro da sazonalidade, porém casos e óbitos de Influenza B ocorrem durante todo o ano.

 

Tabela 9: Casos de SRAG influenza segundo Classificação Etiológica. SC, 2016 e 2017.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 31/10/2017). Dados sujeitos a alterações.

 

 

Tabela 10: Óbito por influenza segundo Classificação Etiológica. SC, 2016 e 2017.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 31/10/2017). Dados sujeitos a alterações.

 

Considerações Finais

Em 2017, no que diz respeito à SRAG por influenza, a maior circulação foi do vírus influenza subtipo A(H3N2), acometendo idosos e adultos com comorbidades (doentes crônicos e obesos). Esses grupos possuem uma tendência maior a apresentarem complicações quando infectados pelo vírus influenza, por isso a importância de procurarem um serviço de saúde mais próximo da residência aos primeiros sinais e sintomas de gripe, para o tratamento adequado.

O aparecimento de casos para além do período sazonal (outono e inverno) pode estar relacionado à falta de definição das estações climáticas nos últimos anos. Fora do período de sazonalidade, os profissionais de saúde e a população em geral não estão sensibilizados a pensar e suspeitar da influenza, falhando na detecção dos casos de “gripe”. Essa falha acarreta demora no tratamento, com perda do tempo oportuno, corroborando para o agravamento, óbito e aparecimento de novos casos.

Apesar de o vírus influenza intensificar-se no período de maio a agosto (inverno), ele circula todos os meses do ano, portanto devem ser reforçadas as medidas de prevenção, principalmente lavar as mãos com frequência e evitar ambientes fechados e com aglomeração de pessoas. Também é necessário manter superfícies e objetos que entram em contato frequente com as mãos, como mesas, teclados, maçanetas e corrimãos, limpos com álcool e não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos e talheres.

Os serviços de saúde devem estar sempre preparados para promover o atendimento adequado aos casos de síndrome gripal, reforçando as medidas de manejo clínico dos casos. O uso do antiviral (Oseltamivir) está indicado para todos os casos de síndrome gripal com condições e fatores de risco para complicações e de síndrome respiratória aguda grave, independentemente da situação vacinal ou da confirmação laboratorial. A terapêutica precoce reduz tanto os sintomas quanto a ocorrência de complicações da infecção pelos vírus da influenza para esses pacientes, e o antiviral apresenta benefícios mesmo se administrado após 48 horas do início dos sintomas.

Nos pacientes com síndrome gripal sem condições e fatores de risco para complicações, a indicação do antiviral deve ser baseada em julgamento clínico se o tratamento puder ser iniciado nas primeiras 48 horas após o início da doença.

A gripe causada pelo vírus influenza é uma doença grave que causa danos à saúde das pessoas há muitos séculos. É transmitida a partir das secreções respiratórias, podendo também sobreviver de minutos a horas no ambiente, sobretudo em superfícies tocadas frequentemente. A partir do contato com um doente ou uma superfície contaminada, o vírus pode penetrar pelas vias respiratórias, causando lesão que pode ser grave e até fatal se não tratada a tempo.

A 20ª Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza em Santa Catarina será realizada entre os dias 16 de abril a 25 de maio, sendo o dia 5 de maio o dia D de mobilização nacional.

O público-alvo da campanha em 2018 compreende: professores do ensino infantil, fundamental e médio de escolas públicas e privadas e do ensino superior público e privado; indivíduos com 60 anos ou mais; crianças entre 6 meses e 5 anos; gestantes; puérperas – até 45 dias após o parto; trabalhadores de saúde; povos indígenas; grupos portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas; população privada de liberdade; e funcionários do sistema prisional.

 

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