Boletim Epidemiológico n° 04/2018 Vigilância entomológica do Aedes aegypti e situação epidemiológica da dengue, da febre de chikungunya e do zika vírus em Santa Catarina (Atualizado em 3/3/2018 – SE 09/2018)

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A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC) divulga o boletim n° 04/2018 sobre a situação da vigilância entomológica do Aedes aegypti e a situação epidemiológica da dengue, da febre de chikungunya e do zika vírus, com dados até a Semana Epidemiológica (SE) n° 09 (31 de dezembro de 2017 a 3 de março de 2018).

 

>>Vigilância entomológica do Aedes aegypti

No período de 31 de dezembro de 2017 a 3 de março de 2018, foram identificados 3.900 focos do mosquito Aedes aegypti, em 113 municípios. Nesse mesmo período em 2017, haviam sido identificados 2.546 focos em 103 municípios, conforme as Figuras 1 e 2. O número de focos de 2018 é 53,2% maior quando comparado ao mesmo período do ano de 2017.

Em relação à situação entomológica, até a SE nº 09/2018 já são 64 municípios considerados infestados, o que representa um incremento de 23,1% em relação ao mesmo período de 2017, que registrou 52 municípios nessa condição, como se pode ver na Tabela 1.

A definição de infestação é realizada de acordo com a disseminação e manutenção dos focos.

 

Tabela 1: Municípios considerados infestados pelo mosquito Aedes aegypti. SC, 2018.

 

Fonte: DIVE/SES/SC (Atualização em: 3 de março de 2018).

 

 

Figura 1: Focos identificados de Aedes aegypti, segundo Semana Epidemiológica. SC, 2017-2018.

Total 2017 (SE 01 a SE 09): 2.546

Total 2018 (SE 01 a SE 09): 3.900

(Atualização em: 3 de março de 2018)

 

 

Figura 2: Mapa dos municípios segundo situação entomológica. SC, 2018.

(Atualização em: 3 de março de 2018).

 

>>Dengue

No período de 31 de dezembro de 2017 a 3 de março de 2018, foram notificados 439 casos de dengue em Santa Catarina. Desses, 343 (78,1%) foram descartados por critério laboratorial, 94 (21,4%) estão sob investigação pelos municípios e 2 (0,5%) foram confirmados, ambos importados. Um deles é residente no município de Biguaçu, com Local Provável de Infecção no estado do Mato Grosso do Sul, e o outro reside no município de Porto União, com Local Provável de Infecção no estado da Bahia, conforme a Tabela 2.

 

Tabela 2: Casos notificados de dengue, segundo classificação. SC, 2018.

 

Fonte: SINAN On-line (Atualização em: 3 de março de 2018).

 

Na comparação com o mesmo período de 2017, quando foram notificados 964 casos, observa-se uma redução de 54% na notificação de casos em 2018 (439 casos notificados), de acordo com a Figura 3.

Em relação aos casos, o número de confirmados em 2018 é igual ao do mesmo período de 2017, como descreve a Figura 4.

 

 

Figura 3: Casos notificados de dengue, segundo Semana Epidemiológica de início dos sintomas. SC, 2017-2018.

Total 2017 (SE 01 a SE 09): 964

Total 2018 (SE 01 a SE 09): 439

(Atualização em: 3 de março de 2018)

 

 

Figura 4: Casos confirmados de dengue, segundo Semana Epidemiológica de início dos sintomas. SC, 2017-2018.

Total 2017 (SE 01 a SE 09): 2

Total 2018 (SE 01 a SE 09): 2

(Atualização em: 3 de março de 2018)

 

>> Febre de chikungunya

No período de 31 de dezembro de 2017 a 3 de março de 2018, foram notificados 84 casos de febre de chikungunya em Santa Catarina. Desses, 56 (67%) foram descartados, 24 (29%) permanecem como suspeitos sob investigação pelos municípios e 4 (4%) foram confirmados. Destes, 3 (três) são importados e 1 (um) é autóctone, de residente no município de Cunha Porã, conforme as Tabelas 3 e 4.

A investigação do caso autóctone, que iniciou os sintomas em 13 de fevereiro, aponta para uma correlação com um caso importado, cujos primeiros sintomas ocorreram em 31 de janeiro, uma vez que os 2 casos residem no mesmo bairro.

Em relação a esses casos, todas as medidas de bloqueio de transmissão já foram desencadeadas pelo município, com o apoio da equipe da Gerência de Saúde da ADR de Chapecó.

 

Tabela 3: Casos de febre de chikungunya segundo classificação. SC, 2018.

 

Fonte: SINAN On-line (Atualização em: 3 de março de 2018).

 

 

Tabela 4: Casos confirmados de febre de chikungunya segundo classificação, município de residência e local provável de infecção (LPI). SC, 2018.

 

Fonte: SINAN On-line (Atualização em: 3 de março de 2018).

 

Na comparação com o mesmo período de 2017, quando foram notificados 134 casos, observa-se uma redução de 37% na notificação de casos em 2018 (84 casos notificados).

Em relação aos confirmados, no mesmo período de 2017, haviam sido confirmados 8 casos importados e nenhum caso autóctone.

 

>> Zika vírus

No período de 31 de dezembro de 2017 a 3 de março de 2018, foram notificados 24 casos de zika vírus em Santa Catarina, sendo que 14 (58%) foram descartados e 10 (42%) permanecem como suspeitos. Acompanhe os dados na Tabela 5.

 

Tabela 5: Casos de febre do zika vírus, segundo classificação. SC, 2018.

 

 Fonte: SINAN NET (Atualização em: 3 de março de 2018).

 

Na comparação com o mesmo período de 2017, quando foram notificados 34 casos, observa-se uma redução de 29% na notificação de casos em 2018, com 24 casos notificados.

 

>> Situação das Salas Municipais para o combate ao Aedes aegypti/SC

Em 2018, a Sala Estadual mantém a participação nas videoconferências que são realizadas mensalmente com a Sala Nacional, discutindo o cenário entomológico e as ações que serão realizadas ao longo do ano, tais como: visitas bimestrais aos imóveis das áreas infestas, realização do Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) e fortalecimento da atuação das Salas Estaduais.

A Sala ainda mantém a orientação para que todos os municípios infestados continuem com suas salas de situação em funcionamento, com o objetivo de desencadear ações intersetoriais para o controle do Aedes aegypti.

Atendendo a solicitação do Ministério da Saúde, os 64 municípios considerados infestados foram orientados a adiantar a realização do LIRAa, que deve ocorrer até 15 de março. É importante destacar que essa atividade permite o conhecimento do índice de infestação predial do município, bem como os principais recipientes que são encontrados com água, permitindo que as ações sejam intensificadas nas áreas com maior risco.

 

>> O que é Dengue?

A dengue é uma doença infecciosa febril causada por um arbovírus, sendo um dos principais problemas de saúde pública no mundo. Ela é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectado.

A infecção pelo vírus da dengue pode ser assintomática ou sintomática. Quando sintomática, causa uma doença sistêmica e dinâmica de amplo espectro clínico, variando desde formas mais leves (oligossintomáticas) até quadros graves, podendo evoluir para o óbito. Todos os quatro sorotipos de vírus da dengue circulantes no mundo (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4) causam os mesmos sintomas, não sendo possível distingui-los somente pelo quadro clínico. O termo “dengue hemorrágica” deixou de ser empregado em 2014, quando o Brasil passou a utilizar a nova classificação da doença, que leva em consideração que a dengue é uma doença única, dinâmica e sistêmica. Para efeitos clínicos e epidemiológicos, considera-se a seguinte classificação: dengue, dengue com sinais de alarme e dengue grave.

 

Sinais e sintomas

Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40° C) de início abrupto, que tem duração de 2 a 7 dias, associada à dor de cabeça, fraqueza, dores no corpo, nas articulações e no fundo dos olhos. Manchas pelo corpo estão presentes em 50% dos casos, podendo atingir face, tronco, braços e pernas. Perda de apetite, náuseas e vômitos também podem estar presentes.

Com a diminuição da febre, entre o 3º e o 7º dia do início da doença, grande parte dos pacientes recupera-se gradativamente, com melhora do estado geral e retorno do apetite. No entanto, alguns pacientes podem evoluir para a forma grave da doença, caracterizada pelo aparecimento de sinais de alarme, que podem indicar o deterioramento clínico do paciente.

 

Quadros graves

Sangramentos de mucosas (nariz, gengivas), dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, letargia, sonolência ou irritabilidade, hipotensão e tontura são considerados sinais de alarme. Alguns pacientes podem, ainda, apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade.

O choque ocorre quando um volume crítico de plasma (parte líquida do sangue) é perdido através do extravasamento nos vasos sanguíneos; ele se caracteriza por pulso rápido e fraco, diminuição da pressão de pulso, extremidades frias, demora no enchimento capilar, pele pegajosa e agitação. O choque é de curta duração e pode levar à recuperação rápida, após terapia apropriada, ou ao óbito, de 12 a 24 horas.

Qualquer pessoa pode desenvolver formas graves de dengue já na primeira infecção, apesar de sua maior frequência ser entre a segunda ou terceira infecção devido à resposta imune individual. No entanto, crianças, gestantes e idosos, além daqueles em situações especiais (portadores de hipertensão arterial, diabetes melitus, asma brônquica, alergias, doenças hematológicas ou renais crônicas, doença grave do sistema cardiovascular, doença ácido-péptica ou doença autoimune), têm maior risco de apresentar quadros graves de dengue.

Atenção: na presença de sinais de alarme, o paciente deve retornar imediatamente ao serviço de saúde.

Pessoas que estiveram, nos últimos 14 dias, numa cidade com a presença do Aedes aegypti ou com a transmissão da dengue e apresentarem os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para diagnóstico e tratamento adequado.

 

>> O que é febre de chikungunya?

É uma infecção viral causada pelo vírus chikungunya, que pode se apresentar na forma aguda (com sintomas abruptos de febre alta, dor articular intensa, dor de cabeça e dor muscular, podendo ocorrer erupções cutâneas) e evoluir para as fases subaguda (com persistência de dor articular) e crônica (com persistência de dor articular por meses ou anos). O nome da doença deriva de uma expressão usada na Tanzânia que significa "aquele que se curva".

Pessoas que estiveram, nos últimos 14 dias, em cidade com a presença do Aedes aegypti ou com a transmissão da febre de chikungunya e apresentarem os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para diagnóstico e tratamento adequado.

 

>> O que é febre do zika vírus?

É uma doença causada pelo vírus zika (ZIKAV), transmitido pela picada do mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti, infectado. Pode se manifestar clinicamente como uma doença febril aguda, com duração de 3 a 7 dias, geralmente sem complicações graves.

Segundo a literatura, mais de 80% das pessoas infectadas não desenvolvem manifestações clínicas. Porém, quando presentes, a doença se caracteriza pelo surgimento do exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia, edema periarticular e cefaleia. A artralgia pode persistir por aproximadamente um mês.

 

>>Orientações para evitar a proliferação do Aedes aegypti:

  • evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usar, coloque areia até a borda;
  • guarde garrafas com o gargalo virado para baixo;
  • mantenha lixeiras tampadas;
  • deixe os depósitos para guardar água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água;
  • plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água;
  • trate a água da piscina com cloro e limpe-a uma vez por semana;
  • mantenha ralos fechados e desentupidos;
  • lave com escova os potes de comida e de água dos animais no mínimo uma vez por semana;
  • retire a água acumulada em lajes;
  • dê descarga no mínimo uma vez por semana em banheiros pouco usados;
  • mantenha fechada a tampa do vaso sanitário;
  • evite acumular entulho, pois ele pode se tornar local de foco do mosquito da dengue;
  • denuncie a existência de possíveis focos de Aedes aegypti para a Secretaria Municipal de Saúde;
  • caso apresente sintomas de dengue, chikungunya ou zika vírus, procure uma unidade de saúde para atendimento.

 


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