Intoxicações alimentares e viroses são comuns no verão

Verão é época de cuidados redobrados com a alimentação, alerta a Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estado de Saúde de Santa Catarina (Dive/SES/SC). Os casos de diarreia e intoxicação tendem a crescer neste período em função do aumento do consumo de alimentos e bebidas contaminados ou conservados de maneira inadequada, pelo contato com água imprópria para banho, aliado a um aumento na circulação de vírus, bactérias e parasitos que causam a doença.

“O principal cuidado que se deve tomar é não consumir alimentos de procedência duvidosa e manter os alimentos sempre bem refrigerados. Quando vamos para a praia precisamos estar atentos, principalmente para sacolés, raspadinhas e sucos, pois é difícil saber se a água utilizada era de boa procedência, por exemplo”, alerta enfermeira Vanessa Vieira da Silva, gerente de Imunização Doenças Imunopreveníveis e DTHA da Dive/SES/SC. Nos últimos quatro anos, Santa Catarina registrou 242 surtos de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) notificados, com 5.661 doentes e 818 hospitalizações. Dentre os surtos notificados, somente 32% (78/242) tiveram o agente etiológico identificado, sendo os mais frequentes a Salmonella spp (21 surtos), Staphylococcus aureus (20 surtos), E.coli enteropatogênica (11 surtos), Bacillus cereus (10 surtos) e Clostridium perfringens (9 surtos). Em geral, eles são transmitidos devido ao preparo e acondicionamento incorreto de alimentos, ao consumo de bebidas (água, sucos, gelo) de procedência duvidosa e à ausência de cuidados com a higiene pessoal (lavagem das mãos), que facilitam a transmissão de patógenos causadores da diarreia. 

 

Atenção aos sinais e sintomas

Os sintomas de intoxicação alimentar, em geral, são náuseas, fraqueza, dor abdominal e palidez. O maior risco é a desidratação decorrente de uma possível diarreia ou vômito. Por isso, é importante ingerir líquidos, especialmente água. “Em algumas situações, é necessária a reposição hídrica por meio de soro, e, por isso, é muito importante procurar um médico”, ressalta Vanessa.

As viroses (rotavírus/norovírus) são altamente contagiosas, podendo sobreviver por até sete dias nas superfícies. São transmitidas diretamente – pessoa para pessoa - ou indiretamente, por meio de alimentos ou água contaminados pelo manuseio. Acometem adultos e crianças, sendo caracterizadas por náusea, vômito, diarreia, febre, dores epigástrica e abdominal com quadro clínico leve a moderado e duração, em geral, de 1 a 5 dias.

 

Como evitar os fatores de risco

- Não consuma alimentos que estejam fora do prazo de validade estabelecido pelo fabricante, mesmo que sua aparência seja normal;

- Mesmo dentro do prazo de validade, não consuma alimentos que pareçam deteriorados, com aroma, cor ou sabor alterados;

- Não consuma alimentos em conserva cujas embalagens estejam estufadas ou amassadas;

- Lavar frequentemente as mãos com água e sabão, especialmente após utilizar o sanitário e antes de se alimentar, preparar ou manipular alimentos;

- Quando levar alimentos para a praia, garanta que eles estão bem protegidos e com a conservação térmica adequada;

- Não tome banho em praias impróprias ou em rios e córregos poluídos. Especialmente em época de chuva, o risco se agrava devido ao espalhamento de lixo e esgoto, aumentando as áreas com poluição;

- Embale adequadamente os alimentos antes de colocá-los na geladeira;

- Lave os utensílios de cozinha, especialmente depois de ter lidado com alimentos crus;

- Evite comer carne crua e mal passada, qualquer que seja sua procedência;

- Só tome leite fervido ou pasteurizado;

- Higienizar frutas, legumes e verduras com solução de hipoclorito a 2,5% (diluir uma colher de sopa de água sanitária para um litro de água por 15 minutos, lavando em água corrente em seguida, para retirar resíduos);

- Lavar e desinfetar superfícies que tenham sido contaminadas com vômito e fezes de pessoas doentes, usando água e sabão e desinfecção com água sanitária.


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