NOTA DE ALERTA: Orientações aos Serviços de Saúde em situação de inundação

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As inundações são os eventos mais frequentes entre os desastres de origem natural no Brasil, tendo como característica relevante a possibilidade de abranger uma grande área.

As experiências mostram que as principais ocorrências epidemiológicas após as inundações são os acidentes por animais peçonhentos e o aparecimento de surtos de doenças infecciosas, particularmente a leptospirose, doenças respiratórias, meningites e doenças de transmissão hídrica e alimentar.  

Considerando a ocorrência de fortes chuvas, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC) orienta quanto à possibilidade de aumento do número de casos ou ocorrência de algumas doenças, sendo que os municípios atingidos por inundações devem disseminar informações técnicas para os serviços e profissionais de saúde, bem como à população, acerca dos sintomas, mecanismos de transmissão e das ações de prevenção e controle, conforme segue:

 

1) Leptospirose

Uma das principais ocorrências epidemiológicas após as inundações é o aparecimento de surtos de leptospirose, transmitida aos seres humanos pelo contato com água ou lama contaminadas pela urina de animais portadores, principalmente roedores domésticos (ratazanas, ratos de telhado e camundongos).

O objetivo primário é garantir que a suspeita diagnóstica e o tratamento sejam instituídos precocemente, visando à redução da mortalidade por esta doença, além de diminuir ao máximo a exposição da população posteriormente.

 

 

Atenção:

O período de incubação da leptospirose vai de 1 a 30 dias após o contato com água ou lama de enchentes contaminadas com o agente infeccioso.

Todo o paciente enquadrado na definição de caso suspeito deverá imediatamente receber tratamento com antibiótico adequado. 

A coleta de amostra sanguínea para exame sorológico de leptospirose deve ser realizada a partir do 7º dia do início dos primeiros sintomas, independente do início de antibioticoterapia.

 

Antibioticoterapia recomendada:

Casos que apresentarem também outros sinais e sintomas considerados SINAIS DE ALERTA como alterações do volume urinário, hipotensão, icterícia, sangramentos ou alterações neurológicas, deverão ser encaminhados imediatamente para uma unidade hospitalar de referência.

Os profissionais de saúde devem comunicar à Vigilância Epidemiológica Municipal a ocorrência de casos atendidos acima do esperado, e estas para Gerências de Saúde Regionais.

As equipes de vigilância epidemiológica e de atenção básica devem visitar e monitorar as áreas atingidas pela inundação, com objetivo de determinar as características da área, a população atingida, realizar busca ativa de casos, encaminhamento de suspeitos e desencadeamento das ações de comunicação e educação em saúde.

Orientações de proteção individual e limpeza das casas posterior a enchente, acessar o link: http://www.vigilanciasanitaria.sc.gov.br/phocadownload/Noticias/2015/cartilha-enchentes-2014.pdf

 

2) Doenças de transmissão hídrica e alimentar

Frequentemente, as inundações levam à contaminação das redes públicas de abastecimento, pela entrada de água poluída nos pontos de vazamento da rede, além da interrupção temporária das atividades das estações de tratamento, expondo a população ao risco de doenças como diarreia, cólera, febre tifoide, meningites por enterovírus e hepatites A e E. Lembrando que o período de incubação dessas doenças é bastante variável, de algumas horas até 30 dias.

Aos profissionais de saúde salientamos a importância da       monitorização das doenças diarreicas agudas (MDDA) para a identificação de mudanças no perfil epidemiológico das diarreias nas áreas afetadas e, em caso de surto, notificar imediatamente a Vigilância Epidemiológica municipal para proceder com a investigação e coleta de swab retal/fecal em cerca de 10% dos casos, a fim de identificação os possíveis agentes etiológicos.

Para o manejo clínico de pacientes com diarreia, seguem orientações no link: http://dive.sc.gov.br/conteudos/imunizacao/campanhas/manejo-paciente-com-diarreia.pdf  

Para evitar as doenças de transmissão hídrica é importante a orientação e adoção de algumas medidas de prevenção e controle para a população, conforme link: http://www.vigilanciasanitaria.sc.gov.br/phocadownload/Noticias/2015/cartilha-enchentes-2014.pdf

 

3) Doenças de Transmissão Respiratória

O deslocamento da população de suas residências e a estada temporária em alojamentos e abrigos, com uma grande quantidade de pessoas convivendo em um mesmo espaço, pode favorecer a disseminação de doenças de transmissão respiratória, sendo, portanto, necessárias algumas medidas de prevenção e controle como:

  • Alertar os serviços de saúde para a possibilidade de ocorrência de casos ou surto de doenças de transmissão respiratória com ênfase à suspeição de casos de influenza, meningites, difteria, coqueluche, varicela, doença exantemática, tuberculose ou outras.
  • Orientar os responsáveis pelos abrigos para que se mantenham em alerta para encaminhar para assistência médica imediata todos os casos de Doença Respiratória Aguda que possam vir a ocorrer na população sob sua responsabilidade, bem como comunicar a vigilância epidemiológica do município para que sejam desencadeadas ações profiláticas específicas para cada agravo.
  • Iniciar precocemente (preferencialmente até 48h) a utilização de antiviral em todos os casos de Doença Respiratória Aguda Grave por influenza. Além dos medicamentos sintomáticos e da hidratação, está indicado o uso de fosfato de oseltamivir (Tamiflu®) de forma empírica (não se deve aguardar confirmação laboratorial) para todos os casos de Síndrome Gripal que tenham condições e fatores de risco para complicações, independentemente da situação vacinal. Esta indicação fundamenta-se no benefício que a terapêutica precoce proporciona tanto na redução da duração dos sintomas quanto na ocorrência de complicações da infecção pelos vírus da influenza, em pacientes com condições e fatores de risco para complicações.

 

4) Acidentes por animais peçonhentos

Nas enchentes e em situações de alagamentos, os animais peçonhentos como serpentes, aranhas e escorpiões também ficam desabrigados e procuram abrigo em locais secos. Estes animais invadem as residências, aumentando o risco de acidentes.  

Para o atendimento de pacientes que sofreram acidentes com animais peçonhentos, o profissional de saúde deve entrar em contato com o Centro de Informação Toxicológica de Santa Catarina - Ciatox, que possui plantão 24hs, através do 0800 6435252.

Através de atendimento telefônico, o CIATOX auxilia no diagnóstico, tratamento e os procedimentos ambulatoriais e hospitalares de intoxicações e envenenamentos.

É importante manter a população alerta quanto aos riscos e a prevenção por acidentes com animais peçonhentos, para mais informações: http://www.vigilanciasanitaria.sc.gov.br/phocadownload/Noticias/2015/cartilha-enchentes-2014.pdf

 

5) Tétano

As inundações propiciam a ocorrência de acidentes com ferimentos, levando ao aumento do risco de contaminação pelo bacilo do tétano, o qual está presente na natureza, no solo, na poeira e nas fezes de alguns animais, sendo necessárias algumas medidas de prevenção e controle como:

· Prover condições para que todas as pessoas, crianças e adultos, que sofrerem ferimentos venham a receber criteriosa avaliação clínica por profissional de saúde capacitado, com os cuidados necessários de limpeza e antissepsia.

· Prover os hospitais com soro antitetânico ou imunoglobulina específica para prevenção ou tratamento dos casos de tétano conforme esquema de condutas profiláticas, de acordo com o tipo de ferimento e situação vacinal.

Os serviços de saúde locais, com a maior brevidade possível, deverão avaliar a situação vacinal contra o tétano da sua comunidade de abrangência através da identificação e busca de faltosos bem como de grupos expostos aos riscos gerados pela situação (trabalhadores de saúde, defesa civil e limpeza urbana e outros) e COMPLETAR o esquema vacinal contra o tétano.

Importante: não se recomenda a vacinação em massa ou indiscriminadamente contra o tétano em situações de inundação. Iniciar a vacinação contra o tétano e aprazar as próximas doses, visando proteger contra o risco de tétano por outros ferimentos futuros.

6) Quanto a manutenção das redes de frio:

Em relação à manutenção das redes de frio responsáveis pelo armazenamento dos imunobiológicos nas centrais estaduais, municipais e locais, os equipamentos de refrigeração podem deixar de funcionar por vários motivos. Assim, para evitar a perda de imunobiológicos, é necessário dispor de recursos estratégicos que orientem medidas de prevenção e controle de risco associado à ocorrência de eventos climáticos. A Diretoria de Vigilância Epidemiológica orienta:

    · Revisão dos grupos geradores quanto a funcionamento e combustível. Realizar testes de funcionamento semanais por pelo menos 10 minutos;

    · Preparar bobinas reutilizáveis congeladas para uso, se necessário, no acondicionamento de imunobiológicos em caixas térmicas;

    ·Havendo interrupção do fornecimento de energia elétrica, manter o equipamento fechado e monitorar rigorosamente a temperatura interna;

    · Se não houver reestabelecimento de energia, ou quando a temperatura estiver próxima a +7°C, proceder imediatamente a transferência dos        imunobiológicos para outro equipamento com temperatura recomendada (refrigerador ou caixa térmica);

    · Caso o tempo previsto para reestabelecimento de energia seja prolongado, verificar a necessidade de transportar os imunobiológicos para a instância     superior;

    ·  Estabelecer parceria com a empresa local de energia elétrica, a fim de ter a informação em tempo hábil sobre as interrupções no fornecimento;

Solicitamos que sejam alertadas as equipes de sobreaviso municipal e regional a verificarem as alterações de temperatura nas redes de frio durante os finais de semana e feriados.

 

 

 


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