Condições clínicas especiais e início tardio do tratamento continuam sendo as principais causas de morte por gripe em Santa Catarina

Febre alta, tosse e dores pelo corpo podem ser sintomas de gripe. Quem apresentar esses três sintomas associados deve procurar um serviço de saúde para diagnóstico e tratamento adequados. “A gripe é uma doença respiratória grave, causada pelos vírus influenza, e pode levar a complicações severas e até provocar a morte. Quando, além dos sintomas acima, a pessoa apresenta falta de ar, ou possui alguma doença crônica de base (diabetes, doença cardíaca ou pulmonar crônica) ou alguma condição clínica especial (crianças, idosos, gestantes, obesidade ou imunodepressão), o risco para agravamento é ainda maior”, alerta o médico infectologista Fábio Gaudenzi, superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES/SC). Segundo ele, o tratamento realizado em até 48 horas do início dos sintomas reduz consideravelmente a chance de evolução da doença. “As equipes de saúde foram orientadas a aplicar o protocolo clínico para pacientes com gripe, que inclui desde a hidratação e alimentação adequada, até a utilização de um arsenal terapêutico indicado pelo médico que inclui o antiviral Tamiflu (oseltamivir), fornecido gratuitamente pela rede pública de saúde. E quanto mais cedo for iniciado o tratamento, mais rápida será a melhora”, acrescenta.

De acordo com o último boletim divulgado pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) da SES/SC, dos 16 óbitos registrados por influenza no estado este ano, 14 fizeram uso de oseltamivir, em média, quatro dias após o início dos sintomas. Em relação aos 137 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave provocados pelos vírus influenza, 81 apresentaram algum fator de risco associado: 52 (64,2%) eram idosos (acima de 60 anos), 11 (13,6%) eram obesos, nove (11,1%) eram crianças com idade abaixo de 2 anos e oito (16,3%) eram portadores de doenças crônicas, além de uma gestante. “Dos 16 óbitos, 13 apresentavam algum fator de risco, como idade avançada, obesidade e doenças crônicas”, comenta Vanessa Vieira da Silva, gerente de imunização da Dive/SC.

Resfriado ou gripe?

É importante diferenciar gripe e resfriado. As duas doenças são infecções virais do sistema respiratório, transmitidas por meio da tosse ou do espirro, mas com sintomas e gravidades diferentes. Tosse, coriza, congestão nasal, com febre baixa ou sem febre são sintomas característicos de resfriado, que dura até quatro dias e pode ter complicações leves e moderadas, como sinusite e otite. Já a gripe dura até duas semanas e apresenta sintomas como febre alta, dores musculares, dor de garganta, dor de cabeça, cansaço, calafrios e tosse seca. As complicações, nesse caso, são severas, podendo evoluir para pneumonia e até provocar a morte. “Somente o médico poderá avaliar o quadro clínico e, se diagnosticada a gripe, o tratamento deverá ser iniciado precocemente, a fim de evitar a evolução para formas graves, independentemente da situação vacinal do paciente”, explica Fábio Gaudenzi.

 

Gripe: o que fazer?

Além de procurar uma unidade de saúde em até 48 horas do início dos sintomas para o tratamento adequado, quem estiver doente deve também:

  • beber bastante líquido;
  • priorizar uma alimentação saudável;
  • repousar em casa, e, se não for possível, evitar os ambientes com aglomerações de pessoas;
  • manter os ambientes ventilados;
  • não compartilhar alimentos, copos, toalhas e outros objetos de uso pessoal;
  • usar lenço descartável ou o antebraço para cobrir o rosto ao tossir e espirrar (Etiqueta da Tosse);
  • lavar as mãos várias vezes ao dia com água e sabão ou fazer uso de álcool gel.   

 

Clique aqui e leia o Informe Epidemiológico n°10/2017 – Vigilância da Influenza na íntegra.


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