Levantamento demonstra que a inadequação de lixo e sucata é o grande desafio no combate ao Aedes aegypti em Santa Catarina

Dos 54 municípios que realizaram o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), 50 estão com baixo índice de infestação predial e quatro estão em médio risco: Sul Brasil, Maravilha, Balneário Camboriú e São Domingos, ou seja, apresentaram índices entre 1,1 e 3,9%. O levantamento foi realizado em novembro, por orientação da Estratégia Operacional para Prevenção e Controle da Dengue, Febre de Chikungunya e do Zika Vírus no estado de Santa Catarina, e objetiva identificar o tipo e a quantidade de depósitos encontrados que possam ser potenciais criadouros do mosquito nos imóveis vistoriados. O LIRAa prevê a vistoria de uma amostra de 20% do total de imóveis existentes no município e calcula o índice de infestação considerando imóvel com larva de Aedes aegypti/100 imóveis.

Apesar da classificação de risco satisfatória na maioria dos municípios, o resultado do levantamento é bastante preocupante: do total de 57.176 recipientes que continham água inspecionados, 20.403 eram lixo e sucata, ou seja, 35,68%. “Apesar do baixo risco de infestação, os depósitos tinham água e, em clima quente e úmido, passam a oferecer todas as condições para o mosquito se reproduzir”, alerta João Fuck, coordenador do Programa de Controle da Dengue em Santa Catarina, vinculado à Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde (Dive/SES/SC).

Essa realidade reforça a importância da destinação correta do lixo; da vigilância permanente da população sobre o que pode ser eliminado e o que deve ser vedado e limpo semanalmente, além da fiscalização constante dos municípios para o cumprimento da Lei 15.243, de 29 de julho de 2010, que dispõe sobre a obrigatoriedade de ferros-velhos, empresas de transporte de cargas, lojas de materiais de construção, borracharias e recauchutadoras de realizar a cobertura e a proteção adequada de pneus novos, velhos, recauchutados, peças, sucatas, carcaças e garrafas.

O LIRAa apontou, ainda, que 15.555 eram pequenos recipientes móveis, como baldes e pratos de vasos de plantas; 12.488 eram recipientes fixos, como calhas, tanques e piscinas; 4.553 eram recipientes naturais, como bromélias e troncos de árvores; 2.207 eram pneus; 1.715 eram recipientes utilizados para armazenamento de água ao nível do solo, como cisternas e tonéis e 1.039 eram recipientes utilizados para armazenamento de água elevados, como caixas d´água. “Infelizmente, muitas pessoas ainda mantêm em seus imóveis recipientes que poderiam ser eliminados, pois são criadouros do mosquito em potencial. Essa negligência coloca em risco não só os moradores daquele imóvel, mas toda a vizinhança”, reforça João Fuck.

A Estratégia Operacional para Prevenção e Controle da Dengue, Febre de Chikungunya e do Zika Vírus no estado de Santa Catarina recomendou a realização do LIRAa em 72 municípios catarinenses, entre os considerados infestados pelo mosquito e os que estão em risco de infestação. Porém, apenas 54 realizaram o levantamento. São eles: São Domingos, Sul Brasil, Maravilha, Balneário Camboriú, Cunha Porã, Nova Itaberaba, São José do Cedro, Palmitos, Xanxerê, Saudades, Planalto Alegre, Princesa, Chapecó, Guaraciaba, Mondaí, Coronel Freitas, Itajaí, Quilombo, Xaxim, Camboriú, Guarujá do Sul, Descanso, São Miguel do Oeste, Itapiranga, Dionísio Cerqueira, São José, Florianópolis, Bom Jesus, Jupiá, Tubarão, Itapema, Ipuaçu, Anchieta, Jaraguá do Sul, Palhoça, Serra Alta, São Lourenço do Oeste, São Bernardino, Passo de Torres, Palma Sola, Modelo, Pinhalzinho, Novo Horizonte, Nova Erechim, Catanduvas, Cordilheira Alta, Campo Erê, Caibi, Seara, Concórdia, Coronel Martins, União do Oeste, Caçador e Itapoá.

 

 

 

 

 

 

 


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