Informe Epidemiológico n°25/ 2016 – Vigilância da Influenza (Atualizado em 08 setembro de 2016)

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Os dados contidos nesse informe são oriundos da vigilância universal de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que monitora os casos hospitalizados e óbitos com o objetivo de identificar o comportamento do vírus influenza, orientando os órgãos de saúde na tomada de decisão frente à ocorrência de casos graves de SRAG causados pelo vírus.

Os dados são coletados pelas Secretarias Municipais de Saúde por meio de formulários padronizados e inseridos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação on-line: SINAN Influenza Web. As amostras laboratoriais são coletadas e encaminhadas para análise ao LACEN/SC.

As informações apresentadas neste informe são referentes ao período que compreende as semanas epidemiológicas (SE) 1 a 36 de 2016, ou seja, casos com início de sintomas de 3/1/2016 a 8/9/2016.

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) são casos de síndrome gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória, sem outra causa específica, que na maioria dos casos levam à hospitalização. Os casos podem ser causados por vírus respiratórios, dentre os quais predominam os da influenza do tipo A e B; ou por bactérias, fungos e outros agentes.

                                     

Perfil Epidemiológico dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Santa Catarina

Até o dia 8/9/2016 (SE 36) foram notificados 2500 casos de SRAG em Santa Catarina. Destes, 712 (28,5%) foram confirmados para influenza, sendo 697 (98,0%) pelo vírus influenza A (H1N1), cinco (0,7%) pelo vírus influenza A que estão aguardando subtipagem (para identificar se o vírus é do tipo H1N1 ou H3N2), um (0,1%) por influenza A (H3N2) e nove (1,3%) pelo vírus influenza B. Outros 1738 casos de SRAG tiveram resultado negativo para influenza A e B (SRAG não especificada), e 50 casos se encontram em investigação, aguardando confirmação laboratorial (Tabela 1).

 

 Tabela 1: Casos de SRAG segundo classificação final e agente etiológico. Santa Catarina, 2016.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 8/9/2016. Dados sujeitos a alterações).

 

O maior número de casos confirmados de SRAG por influenza teve o início dos sintomas na Semana Epidemiológica 15 (10 a 16 de abril), com um total de 91 casos. Esse número reduziu para 55 na semana 16 (17 a 23 de abril), se mantendo abaixo de 40 casos por semana durante todo o mês de maio. Durante o mês de julho os casos confirmados foram abaixo dos 19 casos por semana. Em agosto os casos ocorreram em média um caso por semana, permanecendo essa tendência nas semanas 35 e 36 (Figura 1).

 

Figura 1 – Casos SRAG hospitalizados segundo agente etiológico e Semana Epidemiológica de início dos sintomas. SC, 2016.


Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 8/9/2016. Dados sujeitos a alterações).          


As regiões de Joinville, Blumenau e Chapecó concentram o maior número de casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza no estado até o momento. Os municípios que apresentaram o maior número de casos confirmados foram: Joinville (58 casos), Blumenau (55 casos), Tubarão (36 casos), Criciúma (35 casos) e Lages (35 casos) (Figura 2, Tabela 9).

 

Figura 2: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo município de residência. SC, 2016

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 08/09/2016).

 

Em relação à idade, o maior número de casos de SRAG confirmados por influenza acometeu principalmente indivíduos da faixa etária acima de 50 anos de idade, com 42,0% (295/703) (Tabela 2).

 

TABELA 2: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo faixa etária (em anos) e subtipo viral. SC, 2016.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 8/9/2016. Dados sujeitos a alterações).

 

Do total de casos de SRAG confirmados por influenza, 712 (88,6%) tinham algum fator de risco associado, sendo 364 portadores de doença crônica, 29 gestantes, três puérperas, 35 crianças menores de dois anos, 156 idosos (maior que 60 anos), 44 obesos (Tabela 3).

 

TABELA 3: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo fatores de risco. SC, 2016.


 Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 8/9/2016 Dados sujeitos a alterações).

Os 598 casos de SRAG por influenza que evoluíram para a cura fizeram uso do antiviral Oseltamivir(Tamiflu), em média, até quatro dias após o início dos sintomas de síndrome gripal (febre, tosse ou dor de garganta e pelo menos mais um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia).

 

Perfil dos óbitos de SRAG por influenza em Santa Catarina

Até o dia 8/9/2016 (SE 35) foram notificados 324 óbitos por SRAG, dos quais 106 (32,1%) foram confirmados por influenza, sendo 104 (98,1%) pelo vírus influenza A (H1N1) e dois (1,9%) pelo vírus influenza B. Outros 218 óbitos por SRAG apresentaram resultado negativo para influenza A e B, sendo classificados como SRAG não especificada (Tabela 4).

 

Tabela 4: Óbitos de SRAG segundo classificação final e agente etiológico. Santa Catarina, 2016.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 8/9/2016. Dados sujeitos a alterações).

 

O maior número de óbitos de SRAG por influenza ocorreu na Semana Epidemiológica 14 (3 a 9 de abril), com oito óbitos. Durante o mês de maio observou-se a ocorrência em média de sete óbitos por semana. Nas quatro últimas semanas ocorreu em média um óbito por influenza por semana (Figura3).

 

Figura 3 – Óbitos por SRAG segundo agente etiológico e data do óbito (semana epidemiológica). SC, 2016.

         

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 2/9/2016. Dados sujeitos a alterações).

 

Do total de 106 óbitos de SRAG por influenza confirmados até o momento, nove residiam em Joinville; sete em Blumenau; cinco em São José e Tubarão; quatro em Araranguá, Balneário Barra do Sul, Florianópolis e Jaraguá do Sul; três em Guaramirim; dois em Araquari, Brusque, Camboriú, Canelinha, Lages, Mafra, Mondaí, Paraíso, Praia Grande, Sombrio; e um em cada um dos seguintes municípios: Arabutã, Biguaçu, Bom Jardim da Serra, Braço do Norte, Campo Alegre, Canoinhas, Chapecó, Concórdia, Dionísio Cerqueira, Garuva, Ibirama, Içara, Indaial, Iraceminha, Itajaí, Maracajá, Nova Veneza, Orleans, Otacílio Costa, Penha, Ponte Serrada, Rio do Sul, Rio dos Cedros, Rio Negrinho, Romelândia, Santa Rosa do Sul, Santa Terezinha do Progresso, Santiago do Sul, São Bento do Sul, São Francisco do Sul, São José do Cedro, São Lourenço do Oeste, São Martinho, São Miguel do Oeste, Schroeder, Tijucas, Trombudo Central e Xanxerê. Um dos casos era morador de outro estado (Figura 4, Tabela 9).

 

Figura 4: Óbitos confirmados de SRAG por influenza segundo município de residência. SC, 2016

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 8/9/2016).

 

Em relação à idade, o maior número de óbitos de SRAG por influenza acometeu principalmente indivíduos da faixa etária acima de 40 anos de idade, com 89,4% (93/106) (Tabela 5).

 

TABELA 5: Óbitos confirmados de SRAG por influenza segundo faixa etária (em anos) e subtipo viral. SC, 2016.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 2/9/2016. Dados sujeitos a alterações).

 

Nos 106 óbitos confirmados de SRAG pelo vírus influenza, 89 (84,0%) tinham algum fator de risco associado (doentes crônicos, obesos, idosos) (Tabela 6). O tempo médio decorrido entre o início dos sintomas até o óbito foi de 17 dias, e do momento da internação até o óbito foi de 13 dias. O Oseltamivir (Tamiflu) foi iniciado, em média, cinco dias após o início dos sintomas de síndrome gripal (febre, tosse ou dor de garganta e pelo menos mais um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia). A recomendação é a utilização do antiviral em até 48 horas após o início dos sintomas para um melhor prognóstico.

 

TABELA 6: Óbitos confirmados de SRAG por influenza segundo fator de risco associado. SC, 2016.


 Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 2/9/2016).

 

Comparação de casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza 2012 - 2016

No ano de 2016, observa-se uma mudança no início do período de sazonalidade da circulação do vírus influenza, quando comparado com o mesmo período dos anos anteriores no estado. O monitoramento dos casos de SRAG, confirmados por influenza por meio do SINAN Influenza Web,indica que no período de 2012 a 2015 o aumento na detecção de casos sempre iniciava na última semana do mês de abril. Já em 2016, observa-se um aumento no número de casos confirmados de SRAG por influenza a partir da SE 9 (28/2 a 5/3), com um pico na SE 14 (3 a 9/4). Logo após, verifica-se uma queda no número de casos até a SE 21 (22 a 28/5). A partir desta semana, verifica-se um aumento no número de casos, acompanhando a sazonalidade similar ao ano de 2013 (Figura 5).

 

Figura 5: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo SE do início dos sintomas. SC, 2012-2016.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 8/9/2016).

 

Os meses de janeiro a abril sempre foram meses de baixa circulação de vírus influenza em Santa Catarina, tendo sido confirmados, nesse período, oito casos em 2012, 21 casos em 2013, sete casos em 2014 e seis casos em 2015. Em 2016, neste período, foram confirmados 409 casos de SRAG por influenza, uma ocorrência atípica para este tipo de vírus. Os meses de maio a agosto são aqueles em que historicamente há maior circulação do vírus influenza, e a ocorrência de casos em 2016 tende a acompanhar a tendência histórica (Tabela 7).

 

TABELA 7: Casos confirmados de SRAG por influenza mês de início dos sintomas. SC, 2012-2016.

 Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 8/9/2016).  (2016: Dados até a SE 36 8/9/2016).

 

Em relação aos tipos de vírus influenza predominantes em Santa Catarina, em 2012 houve predomínio do vírus influenza A (H1N1) pdm09, com 722 casos e 75 óbitos. Em 2013 o vírus influenza A (H1N1) pdm09 também predominou (229 casos e 34 óbitos), no entanto os casos de influenza A (H3N2) também foram significativos (133 casos e seis óbitos). Em 2014 ocorreu um predomínio na circulação do vírus influenza A (H3N2) (146 casos e nove óbitos) e, em 2015, ocorreu uma baixa circulação de ambos os vírus (Tabela 8).

 

TABELA 8: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo classificação final. SC, 2012-2016.


Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 8/9/2016).

 

Considerações Finais

O perfil de casos de SRAG em 2016 indica que houve uma intensa circulação do vírus influenza nos meses e março e abril, com predominância do subtipo A (H1N1), causando hospitalizações e casos graves que evoluíram para óbito, principalmente idosos (acima de 60 anos) e adultos com comorbidades (doentes crônicos e obesos). Esses grupos apresentam uma tendência maior a apresentarem complicações quando infectadas pelo vírus influenza, por isso a importância de procurarem um serviço de saúde mais próximo da residência aos primeiros sinais e sintomas de gripe, para o tratamento adequado.

Com a chegada do inverno, existe a possibilidade real de que o vírus influenza A (H1N1) volte a circular com maior intensidade durante os próximos meses, o que pode ocasionar um aumento na ocorrência de casos graves e hospitalizações por gripe.

Portanto, devem ser reforçadas as medidas de prevenção, principalmente lavar as mãos com frequência e evitar ambientes fechados e com aglomeração de pessoas. Também é necessário manter superfícies e objetos que entram em contato frequente com as mãos, como mesas, teclados, maçanetas e corrimãos, limpos com álcool e não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos e talheres.

Os serviços de saúde devem se preparar para promover o atendimento adequado aos casos de Síndrome Gripal, reforçando as medidas de manejo clínico dos casos. O uso do antiviral (Oseltamivir) está indicado para todos os casos de síndrome gripal com condições e fatores de risco para complicações e de síndrome respiratória aguda grave, independentemente da situação vacinal. Nos pacientes com síndrome gripal sem condições e fatores de risco para complicações, a indicação do antiviral deve ser baseada em julgamento clínico, se o tratamento puder ser iniciado nas primeiras 48 horas após o início da doença.

A terapêutica precoce reduz tanto os sintomas quanto a ocorrência de complicações da infecção pelos vírus da influenza, em pacientes com condições e fatores de risco para complicações bem como naqueles com síndrome respiratória aguda grave. O antiviral apresenta benefícios mesmo se administrado após 48 horas do início dos sintomas.

A gripe causada pelo vírus influenza é uma doença grave que causa danos à saúde das pessoas há muitos séculos. É transmitida a partir das secreções respiratórias, podendo também sobreviver de minutos a horas no ambiente, sobretudo em superfícies tocadas frequentemente. A partir do contato com um doente ou superfície contaminada, o vírus pode penetrar pelas vias respiratórias, causando lesão que pode ser grave e até fatal, se não tratada a tempo.

Os vírus do tipo influenza circulam durante todo o ano, intensificando-se principalmente no período de inverno, quando as pessoas buscam se abrigar do frio em ambientes fechados, o que favorece a transmissão do vírus.

Além da vacinação para os grupos prioritários, estratégia eficaz na redução da doença grave entre a população mais vulnerável, as principais formas de prevenção para a gripe são:

- Higiene respiratória/etiqueta da tosse - medida capaz de reduzir a circulação viral, pois previne a disseminação entre as pessoas;

- Tratamento precoce com medicamentos antivirais, que ajudam a evitar a evolução para formas graves.

 

OUTRAS INFORMAÇÕES

 

Tabela 9: Casos e óbitos confirmados de SRAG por influenza segundo subtipo viral por município de residência. SC, 2016.

 

Informações adicionais para a imprensa:

Letícia Wilson / Patrícia Pozzo
Núcleo de Comunicação
Diretoria de Vigilância Epidemiológica
Secretaria de Estado da Saúde
Fone: (48) 3664-7406 | 3664-7402
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