Informe Epidemiológico N°14/ 2016 – Vigilância da Influenza (Atualizado em 9 de junho 2016)

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Os dados contidos nesse informe são oriundos da vigilância universal de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que monitora os casos hospitalizados e óbitos com o objetivo de identificar o comportamento do vírus influenza, orientando os órgãos de saúde na tomada de decisão frente à ocorrência de casos graves de SRAG causados pelo vírus.

Os dados são coletados pelas Secretarias Municipais de Saúde por meio de formulários padronizados e inseridos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação on-line: SINAN Influenza Web. As amostras laboratoriais são coletadas e encaminhadas para análise ao LACEN/SC.

As informações apresentadas neste informe são referentes ao período que compreende as semanas epidemiológicas (SE) 1 a 23 de 2016, ou seja, casos com início de sintomas de 3/1/2016 a 9/6/2016.

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) são casos de síndrome gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória, sem outra causa específica, que, na maioria dos casos levam à hospitalização. Os casos podem ser causados por vírus respiratórios, dentre os quais predominam os da influenza do tipo A e B; ou por bactérias, fungos e outros agentes.

Perfil Epidemiológico dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Santa Catarina

Até o dia 9/6/2016 (SE 23) foram notificados 1567 casos de SRAG em Santa Catarina. Destes, 365 (23,3%) foram confirmados para influenza, sendo 126 (34,5%) pelo vírus influenza A (H1N1), 234 (64,1%) pelo vírus Influenza A, aguardando subtipagem (para identificar se o vírus é do tipo H1N1 ou H3N2) e cinco (1,4%) pelo vírus influenza B. Outros 732 casos de SRAG tiveram resultado negativo para influenza A e B (SRAG não especificada), e 461 casos se encontram em investigação, aguardando confirmação laboratorial (Tabela 1).

Dos 130 óbitos por SRAG notificados, 41 foram confirmados por influenza, sendo 29 (22,3%) pelo vírus influenza A (H1N1), 11 (8,5%) pelo vírus Influenza A, aguardando subtipagem e um (0,8%) pelo vírus influenza B. Outros 67 óbitos por SRAG apresentaram resultado negativo para influenza A e B, sendo classificados como SRAG não especificada, e 21 se encontram em investigação (tabela 1).

 

 Tabela 1: Casos e óbitos de SRAG por influenza segundo classificação final. Santa Catarina, 2016.


Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 9/6/2016. Dados sujeitos a alterações).

       

    Figura 1 – Casos SRAG hospitalizados Classificação final por SE de início dos sintomas. SC, 2016 

  

Figura 1 – Casos SRAG hospitalizados Classificação final por SE de início dos sintomas. SC, 2016

    Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 9/6/2016. Dados sujeitos a alterações).

 

As regiões de Blumenau, Joinville e Lages concentram o maior número de casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza no estado até o momento.Os municípios que apresentaram o maior número de casos confirmados foram Blumenau (52 casos), seguido por Joinville (37 casos), Lages (29 casos), Florianópolis (17 casos), Tubarão (16 casos) e Criciúma (15 casos). (Tabela 2).

 

TABELA 2: Casos Confirmados de SRAG por influenza segundo subtipo viral por município de residência. SC, 2016


 Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 9/6/2016. Dados sujeitos a alterações).

 

Em relação à idade, o maior número de casos de SRAG confirmados por influenza acometeu principalmente indivíduos da faixa etária acima de 50 anos de idade (Tabela 3).

 

TABELA 3: Casos Confirmados de SRAG por influenza segundo faixa etária (em anos) e subtipo viral. SC, 2016


 Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 9/6/2016. Dados sujeitos a alterações).

 

Do total de casos de SRAG confirmados por influenza, 296 (81,1 %) tinham algum fator de risco associado, sendo 147 portadores de doença crônica, 74 idosos (maior que 60 anos), 31 obesos, 24 gestantes, 19 crianças menores de dois anos e uma puérpera. (Tabela 4).

 

TABELA 4: Casos Confirmados de SRAG por influenza segundo fatores de risco. SC, 2016


Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 9/6/2016. Dados sujeitos a alterações).
 

 

Os 324 casos de SRAG por influenza que evoluíram para a cura fizeram uso do antiviral Oseltamivir (Tamiflu), em média, até quatro dias após o início dos sintomas de síndrome gripal (febre, tosse ou dor de garganta e pelo menos mais um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia).

Perfil dos óbitos em Santa Catarina

Do total de 41 óbitos de SRAG por influenza confirmados até o momento, seis eram residentes nomunicípio de Blumenau, quatro em Araranguá, três em Guaramirim, São José e Joinville, dois em Brusque, Florianópolis, Balneário Barra do sul e Jaraguá do Sul, e um em cada um dos seguintes municípios: Lages, Sombrio, Garuva, Timbó, Maracajá, Rio do Sul, Mondaí, Praia Grande, Campo Alegre, São Francisco do Sul, Rio dos Cedros, São Martinho, Orleans e Penha, (Tabela 5).

 

Tabela 5: Óbitos de SRAG por influenza segundo subtipo viral por município de residência. SC, 2016


 
Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 9/6/2016).

 

Nos 41 óbitos confirmados de SRAG pelo vírus influenza, 35 (85,4%) tinham algum fator de risco associado (doentes crônicos, obesos, idosos) e o Oseltamivir (Tamiflu) foi iniciado, em média, seis dias após o início dos sintomas de síndrome gripal (febre, tosse ou dor de garganta e pelo menos mais um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia). A recomendação é a utilização do antiviral em até 48 horas após o início dos sintomas para um melhor prognóstico. (Tabela 6)

 

TABELA 6: Óbitos Confirmados de SRAG por influenza segundo fator de risco associado. SC, 2016


 
Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 9/6/2016).

 

Comparação de casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza 2012- 2016

No ano de 2016, até a SE 23 (9/6), observa-se uma mudança no início do período de sazonalidade da circulação do vírus influenza, quando comparado com o mesmo período dos anos anteriores no Estado. O monitoramento dos casos de SRAG confirmados por influenza por meio do SINAN INFLUENZA WEBindica que, no período de 2012 a 2015, o aumento na detecção de casos sempre iniciava na última semana do mês de abril. Já em 2016, observa-se um aumento no número de casos confirmados de SRAG por influenza a partir da última semana de fevereiro. (Figura 2).

 

Figura 2: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo SE do início dos sintomas. SC, 2012-2016

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 9/6/2016).

 

Os primeiros quatro meses do ano sempre foram meses de baixa circulação de vírus influenza em Santa Catarina, tendo sido confirmados, nesse período, oito casos em 2012; 21 casos em 2013; sete casos em 2014 e seis casos em 2015. De 3 janeiro a 9 de junho 2016 foram confirmados 365 casos de SRAG por influenza. (Tabela 7).

 

TABELA 7: Casos Confirmados de SRAG por influenza mês de início dos sintomas. SC, 2012-2016


 
Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 9/6/2016)*2016: Dados até a SE 23 (9/6/2016).

 

Em relação aos tipos de vírus influenza predominantes em Santa Catarina, em 2012 houve predomínio do vírus influenza A (H1N1)pdm09, com 722 casos e 75 óbitos. Em 2013 o vírus influenza A (H1N1)pdm09 também predominou (229 casos e 34 óbitos), no entanto os casos de influenza A (H3N2) também foram significativos (133 casos e seis óbitos). Em 2014 ocorreu um predomínio na circulação do vírus influenza A (H3N2) (146 casos e nove óbitos) e, em 2015, ocorreu uma baixa circulação de ambos os vírus. (Tabela 8).

 

TABELA 8: Casos Confirmados de SRAG por influenza segundo classificação final. SC, 2012-2016


 
Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 9/6/2016)*2016: Dados até a SE 23 (9/6/2016).

 

Considerações Finais

O perfil de casos de SRAG, até o momento, indica uma intensa circulação do vírus influenza, com predominância do subtipo A (H1N1), acometendo principalmente adultos e pessoas com comorbidades (doentes crônicos e obesos). Esses grupos apresentam uma tendência maior a apresentarem complicações quando infectadas pelo vírus influenza, por isso a importância de procurarem um serviço de saúde mais próximo da residência aos primeiros sinais e sintomas de gripe, para o tratamento adequado.

O uso do antiviral (Oseltamivir) está indicado para todos os casos de síndrome gripal com condições e fatores de risco para complicações e de síndrome respiratória aguda grave, independentemente da situação vacinal. Nos pacientes com síndrome gripal sem condições e fatores de risco para complicações, a indicação do antiviral deve ser baseada em julgamento clínico, se o tratamento puder ser iniciado nas primeiras 48 horas após o início da doença.

A terapêutica precoce reduz tanto os sintomas quanto a ocorrência de complicações da infecção pelos vírus da influenza, em pacientes com condições e fatores de risco para complicações bem como naqueles com síndrome respiratória aguda grave. O antiviral apresenta benefícios mesmo se administrado após 48 horas do início dos sintomas.

A gripe causada pelo vírus influenza é uma doença grave que causa danos à saúde das pessoas há muitos séculos. É transmitida a partir das secreções respiratórias, podendo também sobreviver de minutos a horas no ambiente, sobretudo em superfícies tocadas frequentemente. A partir do contato com um doente ou superfície contaminada, o vírus pode penetrar pelas vias respiratórias, causando lesão que pode ser grave e até fatal, se não tratada a tempo.

Os vírus do tipo influenza circulam durante todo o ano, intensificando-se principalmente no período de inverno, quando as pessoas buscam se abrigar do frio em ambientes fechados, o que favorece a transmissão do vírus.

Além da vacinação para os grupos prioritários, estratégia eficaz na redução da doença grave entre a população mais vulnerável, as principais formas de prevenção para a gripe são:

- Higiene respiratória/etiqueta da tosse - medida capaz de reduzir a circulação viral, pois previne a disseminação entre as pessoas;

- Tratamento precoce com medicamentos antivirais, que ajudam a evitar a evolução para formas graves.

OUTRAS INFORMAÇÕES

 

Informações adicionais para a imprensa:

Letícia Wilson / Patrícia Pozzo
Núcleo de Comunicação
Diretoria de Vigilância Epidemiológica
Secretaria de Estado da Saúde
Fone: (48) 3664-7406 | 3664-7402
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