Boletim Epidemiológico Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti(LIRAa) (Atualizado em 16/12/2020)

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A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC), divulga o resultado do Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa) realizado no mês de novembro de 2020 pelos municípios considerados infestados.

O LIRAa é uma atividade que foi desenvolvida pelo Ministério da Saúde em 2002. Ela permite a identificação de áreas com maior proporção/ocorrência de focos, bem como dos criadouros predominantes, indicando o risco de transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus. A atividade é realizada por meio da visita a um determinado número de imóveis do município, onde ocorre a coleta de larvas para definir o Índice de Infestação Predial (IIP).

Conforme definido na Estratégia operacional do estado de Santa Catarina, os municípios infestados devem realizar a atividade nos meses de março e novembro. Neste ano, devido ao cenário de transmissão do novo coronavírus, o prazo da atividade foi ampliado até o final de abril.

Em novembro de 2019 a atividade do LIRAa foi realizada por 92 municípios, destes 11 (12%) apresentaram alto risco para a transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus, 39 (42,9%) apresentaram médio risco e 42 (45,7%) baixo risco.

Neste ano, 103 municípios foram orientados a realizar o LIRAa, em virtude da sua condição de infestação pelo Aedes aegypti, sendo que todos realizaram a atividade.

 Dos 103 municípios, 1 (1,0%) apresentou alto risco para transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus, 36 (35,0%) médio risco e 66 (64,0%) baixo risco, conforme Tabela 1 e Quadro 1. O município classificado em alto risco para transmissão está localizado na região Oeste (Figura 1).

Os dados demonstraram um aumento no número de municípios considerados de baixo risco (64,0%) para transmissão, condição esta que pode estar associada ao fenômeno de seca enfrentado pelo estado nos últimos meses.

 

 

 

A atividade do LIRAa fornece informações referentes a quantidade e o tipo de recipientes inspecionados, ou seja, locais que apresentam água, e que podem servir como criadouros para reprodução do Aedes aegypti. Esses dados auxiliam os municípios a discutir e direcionar ações para áreas apontadas como críticas, além de avaliar as atividades desenvolvidas, o que possibilita a otimização de recursos humanos e materiais disponíveis.

No LIRAa realizado em novembro de 2019 foram inspecionados 78.785 depósitos. Já na atividade realizada neste ano foram 88.861 depósitos inspecionados.

Os principais tipos de recipientes inspecionados na atividade foram: pequenos recipientes móveis, como pratinhos de plantas e baldes (38,1%), lixo e sucata (25,8%) e os recipientes fixos como calhas e piscinas (16,3%) (Figura 2).

Entretanto, é importante destacar que em relação aos recipientes predominantes existem diferenças conforme a Gerência Regional de Saúde (GERSA) analisada (Tabela 2). Os pequenos depósitos móveis foram predominantes em todas as GERSAs com exceção de Joaçaba, Joinville e Videira, onde prevaleceu a identificação de lixo e sucata (respectivamente 30,5%, 31,1% e 61,3%).

Na análise sobre os recipientes naturais, como as bromélias, observa-se que existiu uma representatividade maior na GERSA de Blumenau (18,9%) e de Joaçaba (14,1%). Em relação ao armazenamento de água elevado, como caixas d´água destacaram-se as GERSAs de Joinville com 8,4% e São Miguel do Oeste com 3,6%.

Em comparação a atividade realizada em novembro/2019, ocorreu um aumento nos depósitos para armazenamento de água, tanto elevado como em nível de solo, condição que pode estar associada a estiagem que ocorre no estado. Está situação sinalizada para a necessidade de orientação quanto ao correto armazenamento de água pela população.

 

Salientamos que os IIP apresentados neste boletim são calculados de forma global para o município, não particularizando a situação de infestação por estrato. Assim, cabe a cada município analisar os dados obtidos levando em consideração os diferentes índices por estrato, bem como os tipos de recipientes prevalentes, objetivando direcionar as ações de controle vetorial adequadas.

É importante destacar que mesmo com o aumento no número de municípios classificados como baixo risco, ainda é expressivo a proporção daqueles com médio e alto risco, o que favorece a ocorrência de surtos ou epidemias das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Com essa situação, é fundamental a intensificação das ações de controle envolvendo outras áreas da gestão municipal e da sociedade civil organizada, afim de eliminar e adequar locais que possam acumular água. O controle do Aedes aegypti ainda é a melhor estratégia para evitar a transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus no estado de Santa Catarina.


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