Boletim Epidemiológico n° 18/2020 Situação epidemiológica de dengue em Santa Catarina (Atualizado em 20/06/2020 – SE 25/2020)

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A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC) divulga o boletim n° 18/2020 sobre a situação epidemiológica de dengue, com dados até a Semana Epidemiológica (SE) n° 25 (29 de dezembro de 2019 a 20 de junho de 2020).

>>Dengue

O boletim epidemiológico da DIVE utiliza as informações dos casos suspeitos notificados pelos municípios no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN On-line). Esses dados estão disponíveis para os municípios, Secretarias Estaduais de Saúde e Ministério da Saúde. Diferente do Ministério da Saúde, que divulga os casos prováveis (todos os casos notificados, excluindo-se os descartados), a DIVE divulga os casos confirmados, suspeitos e descartados, por entender que dentre os casos prováveis, muitos estão aguardando resultados laboratoriais e investigação epidemiológica. A divulgação dos casos confirmados e descartados é feita após encerramento da investigação pelo município no SINAN On-line.

No período de 29 de dezembro de 2019 a 20 de junho de 2020, foram notificados 17.873 casos de dengue em Santa Catarina. Desses, 9.847 (55%) foram confirmados (3.906 pelo critério laboratorial e 5.941 pelo critério clínico epidemiológico), 318 (2%) inconclusivos (classificação utilizada no SINAN para os casos que, após 60 dias da data de notificação, ainda não tiveram sua investigação encerrada), 5.425 (30%) foram descartados por apresentarem resultado negativo para dengue e 2.283 (13%) estão sob investigação pelos municípios (Tabela 1).

Do total de casos confirmados até o momento, 9.432 casos são autóctones (transmissão dentro do estado), 168 casos são importados (transmissão fora do estado), 109 casos são indeterminados pois não foi possível definir o LPI e 138 casos estão em investigação de LPI.

Em 2020, até a SE 25, foram confirmados 83 casos de dengue com sinais de alarme, residentes nos municípios de Joinville (81), Florianópolis (01) e Itajaí (01), sendo que todos evoluíram para cura.

Em relação aos casos autóctones até a SE 24, foram processadas 45 amostras para pesquisa viral pelo Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) do Estado. Foram isolados três sorotipos, sendo que em 33,3% das amostras (15/45) foi identificado o DENV1, em 57,8% (26/45) o DENV2, e em 8,9% (4/45) o DENV4. Os municípios de Balneário Camboriú e Florianópolis apresentam circulação simultânea dos sorotipos DENV1, DENV2 e DENV4. No município de Joinville estão circulando os sorotipos DENV1 e DENV2, simultaneamente. No município de Tijucas ocorre a circulação do sorotipo DENV1 e nos municípios de Itajaí, Itapema, Porto Belo e São José do Cedro está circulando o sorotipo DENV2.

Atualmente, o estado de Santa Catarina possui 10 municípios considerados em situação de epidemia. O município de Joinville apresenta o maior número de casos autóctones (7.642) no estado, o que representa 81,2% do total no ano de 2020, e a taxa de incidência é de 1.294,2 casos por 100 mil/hab. O município de Formosa do Sul apresenta uma taxa de incidência de 1.713,1 casos por 100 mil/hab., o município de São Carlos uma taxa de incidência de 992,8 casos por 100 mil/hab., o município de Coronel Freitas uma taxa de incidência de 841,6 casos por 100 mil/hab., o município de Bombinhas uma taxa de incidência de 622,2 casos por 100 mil/hab., o município de Tijucas uma taxa de incidência de 533,8 casos por 100 mil/hab., o município de Maravilha uma taxa de incidência de 433 casos por 100 mil/hab., o município de Caibi uma taxa de incidência de 422,9 casos por 100 mil/hab., o município de Águas de Chapecó uma taxa de incidência de 385,4 casos por 100 mil/hab., e o município de São Miguel do Oeste uma taxa de incidência de 336 casos por 100 mil/hab.

A caracterização de epidemia ocorre pela relação entre o número de casos confirmados e de habitantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o nível de transmissão epidêmico quando a taxa de incidência é maior de 300 casos de dengue por 100 mil habitantes.

Importante destacar que as equipes da Secretaria de Estado da Saúde monitoram diariamente a situação da doença no estado, acompanhando e auxiliando tecnicamente os municípios nas ações a serem realizadas.

Na comparação com o mesmo período de 2019, quando foram notificados 5.796 casos, observa-se um aumento de 208% na notificação de casos em 2020 (17.873 casos notificados), de acordo com o Gráfico 1.

Em relação aos casos confirmados, em 2020, até o momento foram confirmados 9.847 casos no estado, sendo que no mesmo período em 2019 haviam sido confirmados 1.747 casos (Gráfico 2).

Em comparação aos anos com registro de epidemias de dengue em SC, o número de casos em 2020 é superior ao registrado no ano de 2015 (3.619), 2016 (4.379) e 2019 (1.911) (Gráfico 3).

 

>> O que é dengue?

Dengue é uma doença infecciosa febril causada por um arbovírus, sendo um dos principais problemas de saúde pública no mundo. Ela é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectado.

A infecção pelo vírus da dengue pode ser assintomática ou sintomática. Quando sintomática, causa uma doença sistêmica e dinâmica de amplo espectro clínico, variando desde formas mais leves (oligossintomáticas) até quadros graves, podendo evoluir para o óbito. Todos os quatro sorotipos do vírus da dengue circulantes no mundo (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4) causam os mesmos sintomas, não sendo possível distingui-los somente pelo quadro clínico. O termo “dengue hemorrágica” deixou de ser empregado em 2014, quando o Brasil passou a utilizar a nova classificação da doença, que leva em consideração que a dengue é uma doença única, dinâmica e sistêmica. Para efeitos clínicos e epidemiológicos, considera-se a seguinte classificação: dengue, dengue com sinais de alarme e dengue grave.

Sinais e sintomas

Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40° C) de início abrupto, que tem duração de 2 a 7 dias, associada à dor de cabeça, fraqueza, a dores no corpo, nas articulações e no fundo dos olhos. Manchas pelo corpo estão presentes em 50% dos casos, podendo atingir face, tronco, braços e pernas. Perda de apetite, náuseas e vômitos também podem estar presentes.

Com a diminuição da febre, entre o 3º e o 7º dia do início da doença, grande parte dos pacientes recupera-se gradativamente, com melhora do estado geral e retorno do apetite. No entanto, alguns pacientes podem evoluir para a forma grave da doença, caracterizada pelo aparecimento de sinais de alarme, que podem indicar o deterioramento clínico do paciente.

Quadros graves

Sangramentos de mucosas (nariz, gengivas), dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, letargia, sonolência ou irritabilidade, hipotensão e tontura são considerados sinais de alarme. Alguns pacientes podem, ainda, apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade.

O choque ocorre quando um volume crítico de plasma (parte líquida do sangue) é perdido através do extravasamento nos vasos sanguíneos, ele se caracteriza por pulso rápido e fraco, diminuição da pressão de pulso, extremidades frias, demora no enchimento capilar, pele pegajosa e agitação. O choque é de curta duração e pode, após terapia apropriada, evoluir para uma recuperação rápida; mas, pode também avançar para o óbito, num período de 12 a 24 horas.

Qualquer pessoa pode desenvolver formas graves de dengue já na primeira infecção, apesar de isso ocorrer com maior frequência entre a 2ª ou 3ª infecção, devido à resposta imune individual. No entanto, crianças, gestantes e idosos, além daqueles em situações especiais (portadores de hipertensão arterial, diabetes mellitus, asma brônquica, alergias, doenças hematológicas ou renais crônicas, doença grave do sistema cardiovascular, doença ácido-péptica ou doença autoimune), têm maior risco de apresentar quadros graves de dengue.

Atenção: na presença de sinais de alarme, o paciente deve retornar imediatamente ao serviço de saúde.

Pessoas que estiveram, nos últimos 14 dias, numa cidade com a presença do Aedes aegypti ou com a transmissão da dengue e apresentarem os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para o diagnóstico e tratamento adequados.

 

>>Orientações para evitar a proliferação do Aedes aegypti:

  •       evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usá-los, coloque areia até a borda;
  •       guarde garrafas com o gargalo virado para baixo;
  •       mantenha lixeiras tampadas;
  •       deixe os depósitos d’água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água;
  •       plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água;
  •       trate a água da piscina com cloro e limpe-a uma vez por semana;
  •       mantenha ralos fechados e desentupidos;
  •       lave com escova os potes de comida e de água dos animais no mínimo uma vez por semana;
  •       retire a água acumulada em lajes;
  •       dê descarga, no mínimo uma vez por semana, em banheiros pouco usados;
  •       mantenha fechada a tampa do vaso sanitário;
  •       evite acumular entulho, pois ele pode se tornar local de foco do mosquito da dengue;
  •       denuncie a existência de possíveis focos de Aedes aegypti para a Secretaria Municipal de Saúde;
  •       caso apresente sintomas de dengue, chikungunya ou zika vírus, procure uma unidade de saúde para o atendimento.

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