Boletim Epidemiológico n° 16/2020 Vigilância entomológica do Aedes aegypti e situação epidemiológica de dengue, febre de chikungunya e zika vírus em Santa Catarina (Atualizado em 30/05/2020 – SE 22/2020)

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A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC) divulga o boletim n° 16/2020 sobre a vigilância entomológica do Aedes aegypti e a situação epidemiológica de dengue, febre de chikungunya e zika vírus, com dados até a Semana Epidemiológica (SE) n° 22 (29 de dezembro de 2019 a 30 de maio de 2020). 

>>Vigilância entomológica do Aedes aegypti

No período de 29 de dezembro de 2019 a 30 de maio de 2020, foram identificados 20.051 focos do mosquito Aedes aegypti em 184 municípios. Comparando ao mesmo período de 2019, quando foram identificados 18.884 focos em 182 municípios, observa-se um aumento de 6,2% no número de focos detectados, conforme o Gráfico 1 e a Figura 1.

Em relação à situação entomológica, até a SE nº 22/2020, são 103 municípios considerados infestados, o que representa um incremento de 15,7% em relação ao mesmo período de 2019, que registrou 89 municípios nessa condição, como se pode ver no Quadro 1. A definição de infestação é realizada de acordo com a disseminação e manutenção dos focos. Em comparação ao último boletim, houve a inclusão do município de Imbituba como infestado.

 

>>Dengue

O boletim epidemiológico da DIVE utiliza as informações dos casos suspeitos notificados pelos municípios no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN On-line). Esses dados estão disponíveis para os municípios, Secretarias Estaduais de Saúde e Ministério da Saúde. Diferente do Ministério da Saúde, que divulga os casos prováveis (todos os casos notificados, excluindo-se os descartados), a DIVE divulga os casos confirmados, suspeitos e descartados, por entender que dentre os casos prováveis, muitos estão aguardando resultados laboratoriais e investigação epidemiológica. A divulgação dos casos confirmados e descartados é feita após encerramento da investigação pelo município no SINAN On-line, que pode ocorrer em até 60 dias.

No período de 29 de dezembro de 2019 a 30 de maio de 2020, foram notificados 15.109 casos de dengue em Santa Catarina. Desses, 6.979 (46%) foram confirmados (3.409 pelo critério laboratorial e 3.570 pelo critério clínico epidemiológico), 325 inconclusivos (classificação utilizada no SINAN para os casos que, após 60 dias da data de notificação, ainda não tiveram sua investigação encerrada), 3.582 (24%) foram descartados por apresentarem resultado negativo para dengue e 4.223 (28%) estão sob investigação pelos municípios (Tabela 1).

Do total de casos confirmados até o momento, 6.604 casos são autóctones (transmissão dentro do estado) (Tabela 2), 160 casos são importados (transmissão fora do estado) (Tabela 3), 94 casos são indeterminados pois não foi possível definir o Local Provável de Infecção (LPI) e 121 casos estão em investigação de LPI.

Em relação aos casos autóctones até a SE 22, foram processadas 47 amostras para pesquisa viral pelo Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) do Estado. Foram isolados três sorotipos, sendo que em 34% das amostras (16/47) foi identificado o DENV1, em 57,5% (20/47) o DENV2, e em 8,5% (4/47) o DENV4. Os municípios de Balneário Camboriú e Florianópolis apresentam circulação simultânea dos sorotipos DENV1, DENV2 e DENV4. No município de Joinville estão circulando os sorotipos DENV1 e DENV2, simultaneamente. No município de Tijucas ocorre a circulação do sorotipo DENV1 e nos municípios de Itajaí, Itapema, Porto Belo e São José do Cedro está circulando o sorotipo DENV2.

Atualmente, o estado de Santa Catarina possui 10 municípios considerados em situação de epidemia. O município de Joinville apresenta o maior número de casos autóctones (5.043) no estado, o que representa 76,5% do total no ano de 2020, e a taxa de incidência é de 854,1 casos por 100 mil/hab. O município de Formosa do Sul apresenta uma taxa de incidência de 1.195,2 casos por 100 mil/hab., o município de São Carlos uma taxa de incidência de 930,8 casos por 100 mil/hab., o município de Coronel Freitas uma taxa de incidência de 851,6 casos por 100 mil/hab., o município de Bombinhas uma taxa de incidência de 586,8 casos por 100 mil/hab., o município de Tijucas uma taxa de incidência de 417,1 casos por 100 mil/hab., o município de Maravilha uma taxa de incidência de 425,1 casos por 100 mil/hab., o município de Caibi uma taxa de incidência de 390,4 casos por 100 mil/hab., o município de Águas de Chapecó uma taxa de incidência de 370 casos por 100 mil/hab., e o município de São Miguel do Oeste uma taxa de incidência de 331,8 casos por 100 mil/hab.

A caracterização de epidemia ocorre pela relação entre o número de casos confirmados e de habitantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o nível de transmissão epidêmico quando a taxa de incidência é maior de 300 casos de dengue por 100 mil habitantes.

Importante destacar que as equipes da Secretaria de Estado da Saúde monitoram diariamente a situação da doença no estado, acompanhando e auxiliando tecnicamente os municípios nas ações a serem realizadas.

 

Na comparação com o mesmo período de 2019, quando foram notificados 5.018 casos, observa-se um aumento de 201% na notificação de casos em 2020 (15.109 casos notificados), de acordo com o Gráfico 2.

Em relação aos casos confirmados, em 2020, até o momento foram confirmados 6.979 casos no estado, sendo que no mesmo período em 2019 haviam sido confirmados 1.549 casos. Importante destacar que nas últimas duas semanas (17 a 30/05) foram registrados apenas 116 casos até o momento (Gráfico 3).

Em comparação aos anos com registro de epidemias de dengue em SC, o número de casos em 2020 é superior ao registrado no ano de 2015 (3.619), 2016 (4.379) e 2019 (1.911) (Gráfico 4).

 

>> Febre de chikungunya

No período de 29 de dezembro de 2019 a 30 de maio de 2020, foram notificados 339 casos de febre de chikungunya em Santa Catarina. Desses, 03 (1%) foram confirmados pelo critério laboratorial, 264 (78%) foram descartados e 72 (21%) permanecem como suspeitos (Tabela 4).

 

Em comparação com o mesmo período de 2019, quando foram notificados 423 casos de febre de chikungunya, observa-se uma diminuição de 20% na notificação de casos em 2020 (339 casos notificados).

Em 2020, até o momento, foram confirmados 03 (três) casos no estado; no mesmo período, em 2019, havia sido confirmado 23 casos.

 

>> Zika vírus

No período de 29 de dezembro de 2019 a 30 de maio de 2020 foram notificados 99 casos de zika vírus em Santa Catarina. Desses, 70 (71%) foram descartados, 6 (6%) foram inconclusivos e 23 (23%) permanecem como suspeitos (Tabela 5).

 

Em comparação com o mesmo período de 2019, quando foram notificados 129 casos, observa-se uma diminuição de 23% na notificação de casos em 2020 (99 casos notificados).

 

>> O que é dengue?

Dengue é uma doença infecciosa febril causada por um arbovírus, sendo um dos principais problemas de saúde pública no mundo. Ela é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectado.

A infecção pelo vírus da dengue pode ser assintomática ou sintomática. Quando sintomática, causa uma doença sistêmica e dinâmica de amplo espectro clínico, variando desde formas mais leves (oligossintomáticas) até quadros graves, podendo evoluir para o óbito. Todos os quatro sorotipos do vírus da dengue circulantes no mundo (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4) causam os mesmos sintomas, não sendo possível distingui-los somente pelo quadro clínico. O termo “dengue hemorrágica” deixou de ser empregado em 2014, quando o Brasil passou a utilizar a nova classificação da doença, que leva em consideração que a dengue é uma doença única, dinâmica e sistêmica. Para efeitos clínicos e epidemiológicos, considera-se a seguinte classificação: dengue, dengue com sinais de alarme e dengue grave.

Sinais e sintomas

Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40° C) de início abrupto, que tem duração de 2 a 7 dias, associada à dor de cabeça, fraqueza, a dores no corpo, nas articulações e no fundo dos olhos. Manchas pelo corpo estão presentes em 50% dos casos, podendo atingir face, tronco, braços e pernas. Perda de apetite, náuseas e vômitos também podem estar presentes.

Com a diminuição da febre, entre o 3º e o 7º dia do início da doença, grande parte dos pacientes recupera-se gradativamente, com melhora do estado geral e retorno do apetite. No entanto, alguns pacientes podem evoluir para a forma grave da doença, caracterizada pelo aparecimento de sinais de alarme, que podem indicar o deterioramento clínico do paciente.

Quadros graves

Sangramentos de mucosas (nariz, gengivas), dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, letargia, sonolência ou irritabilidade, hipotensão e tontura são considerados sinais de alarme. Alguns pacientes podem, ainda, apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade.

O choque ocorre quando um volume crítico de plasma (parte líquida do sangue) é perdido através do extravasamento nos vasos sanguíneos, ele se caracteriza por pulso rápido e fraco, diminuição da pressão de pulso, extremidades frias, demora no enchimento capilar, pele pegajosa e agitação. O choque é de curta duração e pode, após terapia apropriada, evoluir para uma recuperação rápida; mas, pode também avançar para o óbito, num período de 12 a 24 horas.

Qualquer pessoa pode desenvolver formas graves de dengue já na primeira infecção, apesar de isso ocorrer com maior frequência entre a 2ª ou 3ª infecção, devido à resposta imune individual. No entanto, crianças, gestantes e idosos, além daqueles em situações especiais (portadores de hipertensão arterial, diabetes mellitus, asma brônquica, alergias, doenças hematológicas ou renais crônicas, doença grave do sistema cardiovascular, doença ácido-péptica ou doença autoimune), têm maior risco de apresentar quadros graves de dengue.

Atenção: na presença de sinais de alarme, o paciente deve retornar imediatamente ao serviço de saúde.

Pessoas que estiveram, nos últimos 14 dias, numa cidade com a presença do Aedes aegypti ou com a transmissão da dengue e apresentarem os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para o diagnóstico e tratamento adequados.

>> O que é febre de chikungunya?

É uma infecção viral causada pelo vírus chikungunya, que pode se apresentar sob forma aguda (com sintomas abruptos de febre alta, dor articular intensa, dor de cabeça e dor muscular, podendo ocorrer erupções cutâneas) e evoluir para as fases subaguda (com persistência de dor articular) e crônica (com persistência de dor articular por meses ou anos). O nome da doença deriva de uma expressão usada na Tanzânia que significa "aquele que se curva".

Pessoas que estiveram, nos últimos 14 dias, em cidade com a presença do Aedes aegypti ou com a transmissão da febre de chikungunya e apresentarem os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para o diagnóstico e tratamento adequados.

>> O que é febre do zika vírus?

É uma doença causada pelo vírus zika (ZIKAV), transmitido pela picada do mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti, infectado. Pode manifestar-se clinicamente como uma doença febril aguda, com duração de 3 a 7 dias, geralmente sem complicações graves.

Segundo a literatura, mais de 80% das pessoas infectadas não desenvolvem manifestações clínicas. Porém, quando presentes, caracterizam-se pelo surgimento do exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia, edema periarticular e cefaleia. A artralgia pode persistir por aproximadamente um mês.

>>Orientações para evitar a proliferação do Aedes aegypti: 

  •       evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usá-los, coloque areia até a borda;
  •       guarde garrafas com o gargalo virado para baixo;
  •       mantenha lixeiras tampadas;
  •       deixe os depósitos d’água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água;
  •       plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água;
  •       trate a água da piscina com cloro e limpe-a uma vez por semana;
  •       mantenha ralos fechados e desentupidos;
  •       lave com escova os potes de comida e de água dos animais no mínimo uma vez por semana;
  •       retire a água acumulada em lajes;
  •       dê descarga, no mínimo uma vez por semana, em banheiros pouco usados;
  •       mantenha fechada a tampa do vaso sanitário;
  •       evite acumular entulho, pois ele pode se tornar local de foco do mosquito da dengue;
  •       denuncie a existência de possíveis focos de Aedes aegypti para a Secretaria Municipal de Saúde;
  •       caso apresente sintomas de dengue, chikungunya ou zika vírus, procure uma unidade de saúde para o atendimento.

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