Informe Epidemiológico n°12/2020 – Vigilância da influenza (Atualizado em 01 de junho de 2020)

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Vigilância Universal da Influenza

Os dados contidos neste informe são oriundos da vigilância universal de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) que monitora os casos hospitalizados e óbitos, com o objetivo de identificar o comportamento do vírus influenza, orientando os órgãos de saúde na tomada de decisão frente à ocorrência de casos graves de SRAG causados pelo vírus.

Os dados são coletados pelas Secretarias Municipais de Saúde por meio de formulários padronizados e inseridos no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe: SIVEP Gripe.

As informações apresentadas neste informe são referentes ao período que compreende as semanas epidemiológicas (SE) 01 a 23 de 2020, ou seja, casos com início de sintomas em 29/12/2019 até os registrados em 01/06/2020.   

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) abrange casos de síndrome gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória que, na maioria dos casos, leva à hospitalização, sem outra causa específica. As causas podem ser vírus respiratórios, dentre os quais predominam os da influenza do tipo A e B, ou bactérias, fungos e outros agentes.

                                               

Perfil epidemiológico

Vigilância Universal de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Santa Catarina

O número de hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) até a semana epidemiológica 23 (SE 23), que corresponde ao período de 29 de dezembro de 2019 a 01 de junho de 2020, foi de 3.568. Destes, 37 (1,0%) foram confirmados para influenza, sendo 18 (48,6%) pelo vírus A (H1N1) pdm09, 1 (2,7%) pelo vírus A (H3N2), 6 (16,2%) Influenza A subtipagem em andamento e 12 (32,4%) pelo vírus Influenza B. Outros 2.000 (56,1%) casos de SRAG tiveram resultado negativo para influenza A (H1N1 e H3N2), influenza B e outros vírus respiratórios, sendo classificados como SRAG não especificada; 734 (20,6%) casos de SRAG foram ocasionados por outro vírus respiratórios; 9 (0,3%) ocasionados por outros agentes etiológicos; e 788 casos (22,1%) casos já foram testados e descartados para Covid-19 e encontram-se em investigação para os outros vírus, conforme a tabela 1.

Entre os outros vírus respiratórios pesquisados estão Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Adenovírus, Rinovírus e SARS-COV2 (novo coronavírus).

No caso da vigilância da COVID-19, que é um componente da SRAG, os dados detalhados estão em um boletim próprio. Para mais informações sobre a COVID-19 verificar os boletins divulgados pelo Centro de Operações Emergenciais de Saúde (COES), da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES/SC).

Os municípios que apresentaram casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza foram: Florianópolis e Itajaí com 4 casos cada; Chapecó e Lages com 3 casos cada; Balneário Camboriú, Guaramirim e Indaial com 2 casos cada; Biguaçu, Braço do Norte, Campos Novos, Concórdia, Corupá, Ibirama, Imbituba, Jaraguá do Sul, Joinville, Navegantes, Palhoça, Rio do Sul e Rio Negrinho com 1 caso cada; além de 4 casos de pacientes provenientes dos estados de Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo, como ilustra a Figura 1.

Em relação à idade, os casos de SRAG confirmados por influenza acometeram indivíduos nas faixas etárias: menor de 2 anos (1 caso), de 2 a 4 anos (2 casos), de 5 a 9 anos (5 casos), de 20 a 29 anos (4 casos), de 30 a 39 (11 casos), de 40 a 49 anos (3 casos), de 50 a 59 (5 casos) e acima de 60 anos (6 casos), como se pode ver na Tabela 2.

Dos 37 casos de SRAG confirmados como influenza, 13 apresentaram algum fator de risco associado, dos quais 6 (46,2%) eram idosos (acima de 60 anos); 4 (30,8%) com doença cardiovascular crônica; 3 (23,1%) com imunodeficiência/imunodepressão; 2 (15,4%) com asma; 1 (7,7%) com pneumopatia; e 1 (7,7%) com doença renal crônica, como descreve a tabela 3. Destes, 31 evoluíram para a cura, 3 aguardam a evolução e 2 foram a óbito. Dos pacientes que evoluíram para a cura:

  • 13 casos fizeram uso do antiviral Oseltamivir(Tamiflu), em média, três dias após o início dos sintomas;
  • 5 casos fizeram o uso de 4 a 10 dias após os inicios dos sintomas de síndrome gripal (febre, tosse ou dor de garganta e, pelo menos, mais um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia);
  • 10 não usaram;
  • 1 não consta a informação no banco de dados.

 

Perfil dos Óbitos em Santa Catarina

Até o dia 01 de junho de 2020, dos 3.568 casos notificados de SRAG, 498 evoluíram para óbito. Sendo:

  • 2 confirmados pelo vírus Influenza A (H1N1);
  • 322 (64,7%) tiveram resultado negativo para os vírus influenza A, B e SRAG por outros vírus respiratórios, classificados como SRAG não especificada;
  • 141 (28,3%) classificados como SRAG por outros vírus respiratórios, no qual inclui o SARS-COV2;
  • 33 (6,6%) estão em investigação para outros vírus, sendo que todos já foram testados e descartados para o novo coronavírus, conforme a tabela 4.

Os óbitos confirmados por influenza são:

  • 1 paciente, residente em Lages, com 31 anos. Não possuía comorbidade e utilizou o Oseltamivir cinco dias após o início dos sintomas, em 10 de março de 2020. O óbito ocorreu no dia 18 de março de 2020;
  • 1 paciente, residente em Matinhos, no estado do Paraná, que foi notificado no município de Balneário Camboriú, com 81 anos. Tinha pneumopatia e fez uso de Oseltamivir um dia após o início dos sintomas, em 25 de janeiro de 2020. O óbito ocorreu no dia 9 de fevereiro de 2020.

 

Comparação de casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza 2016-2020

O monitoramento dos casos de SRAG confirmados por influenza, por meio do SINAN Influenza Web,indica que, em 2016, houve um aumento no número de casos confirmados de SRAG por influenza a partir da SE 9 (28/2 a 5/3), com um pico na SE 14 (3 a 9/4), logo após, verifica-se uma queda no número de casos até a SE 21 (22 a 28/5). Em 2017, até a SE 52, os casos apresentados permaneceram dentro do esperado para o período. Em 2018, os casos seguiram a mesma tendência de 2017, e houve uma cocirculação de ambos os vírus Influenza tipo A, observa-se, ainda, a partir da SE 24 (10 a 16/06), um aumento de casos que decaem a partir da SE 29. Em 2019, a circulação do vírus Influenza foi dentro do esperado, com predomínio do vírus Influenza A (H1N1) pdm09. Em 2020, até o presente momento, os vírus que estão circulando são o H1N1 e o Influenza B. A tendência é que a curva de casos confirmados por Influenza sofra alterações, conforme a realização dos exames pendentes. (Figura 2)

Os meses de janeiro a abril sempre foram meses de baixa circulação do vírus influenza em Santa Catarina, tendo sido confirmados, nesse período, 8 casos em 2012, 21 casos em 2013, 7 casos em 2014 e 6 casos em 2015. Em 2016, nesse período, foram confirmados 404 casos de SRAG por influenza, uma ocorrência atípica para esse tipo de vírus. Os meses de maio a agosto são aqueles em que, historicamente, há maior circulação do vírus influenza. Em 2017, os números acompanham as tendências apresentadas até o ano de 2015 e, a partir do mês de agosto, registramos historicamente nova queda no número de casos pela diminuição da circulação do vírus. Em 2018, os números ficaram dentro do limite histórico esperado para o período, com um aumento concentrado a partir do mês de junho e a partir de agosto há a tendência de diminuição do número de casos. Em 2019 os casos aconteceram dentro do esperado. Em 2020, devido à falta de exames, não é possível perceber como está a curva de incidência da Influenza, esse perfil sofrerá alterações quando os exames começarem a ser realizados, tabela 5.

Em relação aos tipos de vírus influenza predominantes em Santa Catarina, em 2012 houve o predomínio do vírus influenza A (H1N1) pdm09, com 722 casos e 75 óbitos. Em 2013, o vírus influenza A (H1N1) pdm09 também predominou, com 229 casos e 34 óbitos; no entanto, os casos de influenza A (H3N2) também foram significativos, apresentando 133 casos e 6 óbitos. Em 2014, ocorreu um predomínio na circulação do vírus influenza A (H3N2), com 146 casos e 9 óbitos. Em 2015, ocorreu uma baixa circulação de ambos os vírus. Em 2016, houve o predomínio do vírus influenza A (H1N1) pdm09, com 722 casos e 114 óbitos. Em 2017, o vírus que circulou foi o A (H3N2). Em 2018, os vírus que circularam foram os da Influenza A (H3N2), Influenza A (H1N1) pdm09 e Influenza B. Em 2019 os vírus que circularam foram influenza A H1N1, H3N2 e influenza B. Em 2020, até o momento, os vírus que estão circulando são o Influenza A (H1N1) e Influenza B, como se pode ver na Tabela 6.

 

Vigilância sentinela da influenza

A vigilância da influenza, no Brasil, é composta pela sentinela de síndrome gripal (SG), de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e pela vigilância universal de SRAG.

A vigilância sentinela conta com uma rede de unidades distribuídas em todas as regiões geográficas do país e tem como objetivo principal identificar os vírus circulantes, além de permitir o monitoramento da demanda de atendimento por essa doença. Os dados são coletados por meio de formulários padronizados e inseridos no sistema de informação online SIVEP-GRIPE. Atualmente, estão ativas 252 Unidades Sentinelas, sendo 140 de SG, 112 de SRAG em UTI e 17 sentinelas mistas de ambos os tipos.

Em Santa Catarina, temos 7 Unidades Sentinelas em três municípios:

  • Joinville: 2 Unidades Sentinelas de SRAG (Hospital Regional Hans Dieter Schmidt e Hospital Jeser Amarante Faria) e 1 unidade de SG (UPA 24h Aventureiro);
  • Florianópolis: 2 Unidades Sentinelas de SRAG (Hospital Nereu Ramos e Hospital Infantil Joana de Gusmão) e 1 de SG (UPA Sul da Ilha);
  • São José: 1 Unidade de SG no Hospital Regional Homero de Miranda Gomes.

 

Considerações Finais

A gripe causada pelo vírus influenza é uma doença grave que causa danos à saúde das pessoas há muitos séculos. É transmitida a partir das secreções respiratórias, podendo também sobreviver de minutos a horas no ambiente, sobretudo em superfícies tocadas frequentemente. A partir do contato com um doente ou superfície contaminada, o vírus pode penetrar pelas vias respiratórias, causando lesão que pode ser grave e até fatal, se não tratada a tempo.

A sazonalidade da Influenza, iniciou em maio e permanecendo até o final de agosto. Pelos exames realizados até o momento, verifica-se a circulação predominante do vírus influenza A (H1N1) pdm 09 e em menor número o vírus influenza B.

O cenário epidemiológico do vírus influenza apresenta que, simultaneamente ocorre a circulação de vários outros tipos de agentes, além das síndromes respiratórias agudas transmitidas pela Influenza A (H1N1 e H3N2) e Influenza B, também os classificados como outros vírus respiratórios, como o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e enfatizando o novo subtipo viral causador da pandemia vivida atualmente o COVID-19, também causam síndrome gripal e podem evoluir para Síndrome Respiratória Aguda Grave.

Os dados demonstram que os cuidados com a gripe devem ser fortalecidos durante todas as estações do ano. Faz-se necessário suspeitar, tratar e utilizar das medidas de prevenção em tempo oportuno. Com isto, é importante salientar que ao identificar sintomatologias relacionadas a gripe a população procure pelo serviço de saúde mais próximo da residência, em especial os portadores de fatores de risco para agravamento e óbito (idosos, crianças, doentes crônicos etc.), pois estes têm maior probabilidade de apresentar complicações quando infectados pelo vírus Influenza.

Os serviços de saúde devem estar sempre preparados para promover o atendimento adequado aos pacientes com sinais e sintomas de Síndrome Gripal, reforçando as medidas de manejo clínico adequado e em tempo oportuno dos casos. O uso do antiviral (Oseltamivir) está indicado para todos os casos de síndrome gripal com condições e fatores de risco para complicações e de síndrome respiratória aguda grave, independentemente da situação vacinal ou da confirmação laboratorial. Nos pacientes com síndrome gripal sem condições e fatores de risco para complicações, a indicação do antiviral deve ser baseada em julgamento clínico, recomenda-se o tratamento ser iniciado nas primeiras 48 horas após o início da doença.

A terapêutica precoce reduz tanto os sintomas quanto a ocorrência de complicações da infecção pelos vírus da influenza, tanto em pacientes com condições e fatores de risco para complicações bem como naqueles com síndrome respiratória aguda grave. O antiviral apresenta benefícios mesmo se administrado após 48 horas do início dos sintomas.

As medidas de prevenção devem ser recomendadas constantemente e adotadas pela população de forma rotineira, sendo principalmente: lavar as mãos com frequência, evitar ambientes fechados, evitar aglomeração de pessoas, limpar superfícies e objetos que entram em contato frequente com as mãos (mesas, teclados, maçanetas, corrimãos e outros) com água e sabão e/ou álcool e não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos e talheres.

A 22ª Campanha de Vacinação contra Influenza foi prorrogada e ocorre entre os dias 23 de março e 30 de junho. O público-alvo da campanha em 2020 compreende: crianças entre 6 meses a menores de 6 anos de idade (5 anos, 11 meses e 29 dias); gestantes; puérperas – até 45 dias após o parto; indivíduos com 60 anos ou mais; trabalhadores da saúde; professores do ensino infantil, fundamental e médio de escolas públicas e privadas e do ensino superior público e privado; povos indígenas; grupos portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas; população privada de liberdade; funcionários do sistema prisional; policiais civis, militares, bombeiros e forças armadas da ativa; e a novidade para este ano são os adultos com idade entre 55 e 59 anos; pessoas com deficiência e caminhoneiros, motoristas de transporte coletivo e portuários. Salienta-se a importância da vacinação para prevenir o agravamento dos casos e a não disseminação para a população de risco.

A meta é vacinar até 90% da população elencada. A vacinação contra influenza mostra-se como uma das medidas mais efetivas para a prevenção da influenza grave e de suas complicações. As vacinas utilizadas nas campanhas nacionais de vacinação contra a influenza do PNI são trivalentes que contêm os antígenos purificados de duas cepas do tipo A e uma B, sem adição de adjuvantes e sua composição é determinada pela OMS para o hemisfério sul, de acordo com as informações da vigilância epidemiológica da Influenza.

A cobertura atual da vacinação é de 123,6% entre os idosos e 102,9% nos trabalhadores de saúde, conforme a tabela 7.

OUTRAS INFORMAÇÕES

  • Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) – Vigilância de gripe em Santa Catarina: http://www.gripe.sc.gov.br
  • Protocolo de tratamento de influenza, 2017: http:// www.gripe.sc.gov.br/include/documentos/ProtocoloTratamentoInfluenza.pdf
  • Síndrome gripal/SRAG – Classificação de risco e manejo do paciente: http:// http://www.gripe.sc.gov.br/include/documentos/fluxograma_gripe_novo.pdf

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