Boletim Epidemiológico Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa) (Atualizado em 04/05/2020)

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC), divulga o resultado do Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa) realizado nos meses de março e abril de 2020 pelos municípios considerados infestados pelo Aedes aegypti.

O LIRAa é uma atividade que foi desenvolvida pelo Ministério da Saúde em 2002. Ela permite a identificação de áreas com maior proporção/ocorrência de focos, bem como dos criadouros predominantes, indicando o risco de transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus. A atividade é realizada por meio da visita a um determinado número de imóveis do município, onde ocorre a coleta de larvas para definir o Índice de Infestação Predial (IIP).

Conforme definido na Estratégia operacional do estado de Santa Catarina, os municípios infestados devem realizar a atividade nos meses de março e novembro. Neste ano, devido ao cenário de transmissão do novo coronavírus, o prazo da atividade foi ampliado até o final de abril.

Em março de 2019 a atividade do LIRAa foi realizada por 76 municípios, destes 33 (43,4%) apresentaram alto risco para a transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus, 33 (43,4%) apresentaram médio risco e 10 (13,2%) baixo risco. Destaca-se que, dos 33 municípios com alto risco, quatorze (14) estavam localizados na região de saúde Oeste, oito (08) no Extremo Oeste, seis (06) em Xanxerê, quatro (04) na Foz do Rio Itajaí e um (01) no Planalto Norte.

Neste ano, 100 municípios foram orientados a realizar o LIRAa, em virtude da sua condição de infestação pelo Aedes aegypti no momento. Desses, apenas três (03) não realizaram a atividade - Florianópolis, Joinville e Riqueza. Importante ressaltar que em virtude da transmissão de dengue em Joinville, o município foi orientado a suspender a atividade.

Dos municípios que realizaram o LIRAa, 17 (17,5%) apresentaram alto risco para transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus, 45 (46,4%) médio risco e 35 (36,1%) baixo risco, conforme Tabela 1 e Quadro 1. Dos 17 municípios classificados como alto risco, seis (06) estão localizados na região de saúde Oeste, cinco (05) em Xanxerê, três (03) no Extremo Oeste e três (03) na Foz do Rio Itajaí (Figura 1).

Os dados demonstraram um aumento no número de municípios considerados de baixo risco (36,1%) para transmissão. Entretanto, mesmo com esse aumento, 62 (63,9%) dos municípios permanecem com médio e alto risco, situação que se traduz na transmissão que vem ocorrendo em 2020.

 

 

 

 

A atividade do LIRAa fornece informações referentes a quantidade e o tipo de recipientes inspecionados, ou seja, locais que apresentam água, e que podem servir como criadouros para reprodução do Aedes aegypti. Esses dados auxiliam os municípios a discutir e direcionar ações para áreas apontadas como críticas, além de avaliar as atividades desenvolvidas, o que possibilita a otimização de recursos humanos e materiais disponíveis.

No LIRAa realizado em março de 2019 foram inspecionados 59.928 depósitos. Já na atividade realizada neste ano foram 63.620 depósitos inspecionados, o que representa o aumento de 6,2%.  

Os principais tipos de recipientes inspecionados na atividade foram: pequenos recipientes móveis, como pratinhos de plantas e baldes (38,2%), lixo e sucata (30,7%) e os recipientes fixos como calhas e piscinas (15,8%) (Figura 2).

 

Entretanto, é importante destacar que em relação aos recipientes predominantes existem diferenças conforme a Gerência Regional de Saúde (GERSA) analisada (Tabela 2). Os pequenos depósitos móveis foram predominantes nas GERSAS de Mafra (64,2%), Concórdia (46,5%), São Miguel do Oeste (44,4%), Jaraguá do Sul (44,4%), Araranguá (42%), Chapecó (40,8%), Grande Florianópolis (40,6%), Blumenau (39,4%), e Itajaí (32%). 

               

O lixo e a sucata representaram 70,1 % dos inspecionados na GERSA de Videira, Joaçaba (63,5%) e Xanxerê (48,1%). Quando a análise recai sobre os recipientes naturais, como as bromélias, existiu uma representatividade maior nas GERSAS de Jaraguá do Sul (15,3%), Blumenau (11%) e Araranguá (9,3%). Em relação ao armazenamento de água elevado, como caixas d´água destacaram-se as GERSAS de São Miguel do Oeste com 6,3% e Grande Florianópolis com 3,8% do total de recipientes inspecionados.

 

 

Salientamos que os IIP apresentados neste Boletim são calculados de forma global para o município, não particularizando a situação de infestação por estrato. Assim, cabe a cada município analisar os dados obtidos levando em consideração os diferentes índices por estrato, bem como os tipos de recipientes prevalentes, objetivando direcionar as ações de controle vetorial adequadas.

É importante destacar que mesmo com o aumento no número de municípios classificados como baixo risco, ainda é expressivo a proporção daqueles com médio e alto risco, o que favorece a ocorrência de surtos ou epidemias das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Com essa situação, é fundamental a intensificação das ações de controle envolvendo outras áreas da gestão municipal e da sociedade civil organizada, afim de eliminar e adequar locais que possam acumular água. O controle do Aedes aegypti ainda é a melhor estratégia para evitar a transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus no estado de Santa Catarina.


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