Informe Epidemiológico n°06/2020 – Vigilância da influenza (Atualizado em 22 de abril de 2020)

Visualizar em PDF

 

Vigilância Universal da Influenza

Os dados contidos neste informe são oriundos da vigilância universal de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) que monitora os casos hospitalizados e óbitos, com o objetivo de identificar o comportamento do vírus influenza, orientando os órgãos de saúde na tomada de decisão frente à ocorrência de casos graves de SRAG causados pelo vírus.

Os dados são coletados pelas Secretarias Municipais de Saúde, por meio de formulários padronizados e inseridos no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe: SIVEP Gripe. As amostras laboratoriais são coletadas e encaminhadas para a análise no LACEN/SC.

As informações apresentadas neste informe são referentes ao período que compreende as semanas epidemiológicas (SE) 01 a 17 de 2020, ou seja, casos com início de sintomas em 30/12/2019 até os registrados em 22/04/2020.

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) abrange casos de síndrome gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória que, na maioria dos casos, leva à hospitalização, sem outra causa específica. As causas podem ser vírus respiratórios, dentre os quais predominam os da influenza do tipo A e B, ou bactérias, fungos e outros agentes.

Perfil epidemiológico Vigilância Universal de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Santa Catarina

O número de hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) até a semana epidemiológica 17 (SE 17), que corresponde ao período de 29 de dezembro de 2019 a 22 de abril de 2020, foi de 1.611. Destes, 37 (2,3%) foram confirmados para influenza, sendo 19 (51,4%) pelo vírus A (H1N1) pdm09, 1 (2,7%) pelo vírus A (H3N2), 6 (16,2%) Influenza A subtipagem em andamento e 11 (29,7%) pelo vírus Influenza B. Outros 728 (45,2%) casos de SRAG tiveram resultado negativo para influenza A (H1N1 e H3N2), influenza B e outros vírus respiratórios, sendo classificados como SRAG não especificada; 203 (12,6%) casos de SRAG foram ocasionados por outros vírus respiratórios; 2 (0,1%) ocasionados por outros agentes etiológicos; e 641 (39,8%) casos já foram testados e descartados para Covid-19 e encontram-se em investigação para os outros vírus, conforme a tabela 1.

Entre os outros vírus respiratórios pesquisados estão Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Adenovírus, Rinovírus e SARS-COV2 (novo coronavírus). No caso da vigilância da COVID-19, que é um componente da SRAG, os dados detalhados estão em um boletim próprio. Para mais informações sobre a COVID-19 verificar boletins divulgados pelo Centro de Operações Emergeciais de Saúde (COES), da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES/SC). 

Os municípios que apresentaram casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza foram: Florianópolis e Itajaí com 4 casos cada; Lages com 3 casos; Balneário Camboriú, Chapecó, Guaramirim, Indaial e Jaraguá do Sul com 2 casos cada; Biguaçu, Braço do Norte, Campos Novos, Concórdia, Corupá, Ibirama, Imbituba, Joinville, Navegantes, Palhoça, Rio do Sul e Rio Negrinho com 1 caso cada; além de 4 casos de pacientes provenientes dos estados de Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo, como ilustra a Figura 1.

 

Em relação à idade, os casos de SRAG confirmados por influenza acometeram indivíduos nas faixas etárias: menor de 2 anos (1 caso), de 2 a 4 anos (1 caso), de 5 a 9 anos (5 casos), de 20 a 29 anos (4 casos), de 30 a 39 (12 casos), de 40 a 49 anos (3 casos), de 50 a 59 (5 casos) e acima de 60 anos (6 casos), como se pode ver na tabela 2.

 

Dos 37 casos de SRAG confirmados como influenza, 13 apresentaram algum fator de risco associado, dos quais 6 (46,2%) eram idosos (acima de 60 anos), 4 (30,8%) com doença cardiovascular crônica, 3 (23,1%) com imunodeficiência/imunodepressão, 2 (15,4%) com asma, 1 (7,7%) com pneumopatia e 1 (7,7%) com doença renal crônica, como descreve a Tabela 3. Desses, 29 evoluíram para a cura, 6 ainda está aguardando a evolução e 2 foram a óbito. Dos pacientes que evoluíram para a cura, 13 casos fizeram uso do antiviral Oseltamivir (Tamiflu) em média, três dias após o início dos sintomas, 5 casos de 4 a 10 dias após os inicios dos sintomas de síndrome gripal (febre, tosse ou dor de garganta e, pelo menos, mais um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia), 10 não usaram e 1 não consta a informação no banco de dados.

Perfil dos Óbitos em Santa Catarina

Até o dia 22 de abril de 2020, dos 1.611 casos hospitalizados por SRAG, 141 evoluíram para óbito, 2 confirmados pelo vírus Influenza A (H1N1). Outros 108 (76,6%) tiveram resultado negativo para os vírus influenza A e B, sendo classificados como SRAG não especificada; 19 (13,5%) como SRAG por outros vírus respiratórios e 12 (8,5%), que já foram testados e descartados para Covid-19, estão em investigação para outros vírus, conforme a Tabela 4.

 

Os óbitos confirmados por influenza são:

• 1 paciente, residente em Lages, com 31 anos. Não possuía comorbidade e utilizou o Oseltamivir cinco dias após o início dos sintomas, em 10 de março de 2020. O óbito ocorreu no dia 18 de março de 2020.

• 1 paciente, residente em Matinhos, no estado do Paraná, que foi notificado no município de Balneário Camboriú, com 81 anos. Tinha pneumopatia e fez uso de Oseltamivir um dia após o início dos sintomas, em 25 de janeiro de 2020. O óbito ocorreu no dia 9 de fevereiro de 2020.

 

Comparação de casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza 2016-2020

O monitoramento dos casos de SRAG confirmados por influenza, por meio do SINAN Influenza Web, indica que, em 2016, houve um aumento no número de casos confirmados de SRAG por influenza a partir da SE 9 (28/2 a 5/3), com um pico na SE 14 (3 a 9/4), logo após, verifica-se uma queda no número de casos até a SE 21 (22 a 28/5). Em 2017, até a SE 52, os casos apresentados permaneceram dentro do esperado para o período. Em 2018, os casos seguiram a mesma tendência de 2017, e houve uma cocirculação de ambos os vírus Influenza tipo A, observa-se, ainda, a partir da SE 24 (10 a 16/06), um aumento de casos que decaem a partir da SE 29. Em 2019, a circulação do vírus Influenza foi dentro do esperado, com predomínio do vírus Influenza A (H1N1) pdm09. Em 2020, até o presente momento, os vírus que estão circulando são o H1N1 e Influenza B. A tendência é que a curva de casos confirmados por influenza sofra alterações, conforme a realização dos exames pendentes, conforme figura 2.

 Os meses de janeiro a abril sempre foram meses de baixa circulação do vírus influenza em Santa Catarina, tendo sido confirmados, nesse período, 8 casos em 2012, 21 casos em 2013, 7 casos em 2014 e 6 casos em 2015. Em 2016, nesse período, foram confirmados 404 casos de SRAG por influenza, uma ocorrência atípica para esse tipo de vírus. Os meses de maio a agosto são aqueles em que, historicamente, há maior circulação do vírus influenza. Em 2017, os números acompanham as tendências apresentadas até o ano de 2015 e, a partir do mês de agosto, registramos historicamente nova queda no número de casos pela diminuição da circulação do vírus. Em 2018, os números ficaram dentro do limite histórico esperado para o período, com um aumento concentrado a partir do mês de junho e a partir de agosto há a tendência de diminuição do número de casos. Em 2019 os casos aconteceram dentro do esperado. Em 2020, também segue dentro do esperado, de acordo com a tabela 5.

 

Em relação aos tipos de vírus influenza predominantes em Santa Catarina, em 2012 houve o predomínio do vírus influenza A (H1N1) pdm09, com 722 casos e 75 óbitos. Em 2013, o vírus influenza A (H1N1) pdm09 também predominou, com 229 casos e 34 óbitos; no entanto, os casos de influenza A (H3N2) também foram significativos, apresentando 133 casos e 6 óbitos. Em 2014, ocorreu um predomínio na circulação do vírus influenza A (H3N2), com 146 casos e 9 óbitos. Em 2015, ocorreu uma baixa circulação de ambos os vírus. Em 2016, houve o predomínio do vírus influenza A (H1N1) pdm09, com 722 casos e 114 óbitos. Em 2017, o vírus que circulou foi o A (H3N2). Em 2018, os vírus que circularam foram os da Influenza A (H3N2), Influenza A (H1N1) pdm09 e Influenza B. Em 2019 os vírus que circularam foram influenza A H1N1, H3N2 e influenza B. Em 2020 até o momento os vírus que estão circulando são o Influenza A (H1N1) e Influenza B, como se pode ver na tabela 6.

 

Vigilância sentinela da influenza 

A vigilância da influenza, no Brasil, é composta pela sentinela de síndrome gripal (SG), de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e pela vigilância universal de SRAG. A vigilância sentinela conta com uma rede de unidades distribuídas em todas as regiões geográficas do país e tem como objetivo principal identificar os vírus circulantes, além de permitir o monitoramento da demanda de atendimento por essa doença. Os dados são coletados por meio de formulários padronizados e inseridos no sistema de informação online SIVEP-GRIPE. Atualmente, estão ativas 252 Unidades Sentinelas, sendo 140 de SG, 112 de SRAG em UTI e 17 sentinelas mistas de ambos os tipos. Em Santa Catarina, temos 7 Unidades Sentinelas em três municípios:

● Joinville: 2 Unidades Sentinelas de SRAG (Hospital Regional Hans Dieter Schmidt e Hospital Jeser Amarante Faria) e 1 unidade de SG (UPA 24h Aventureiro);

● Florianópolis: 2 Unidades Sentinelas de SRAG (Hospital Nereu Ramos e Hospital Infantil Joana de Gusmão) e 1 de SG (UPA Sul da Ilha);

● São José: 1 Unidade de SG no Hospital Regional Homero de Miranda Gomes.

 

Considerações Finais

Em 2020, até o momento, há registro de casos de Influenza dentro do esperado para o período que antecede a sazonalidade, que se inicia a partir do início de maio e permanecendo até o final de agosto. Pelos dados notificados verifica-se, a circulação predominante do vírus influenza A (H1N1)pdm 09 e em menor número o vírus influenza B. Os dados demonstram que os cuidados com a gripe devem ser fortalecidos durante todas as estações do ano, há que se suspeitar, tratar e utilizar as medidas de prevenção em tempo oportuno.

O perfil de casos mostra a importância de a população procurar o serviço de saúde mais próximo da residência aos primeiros sinais e sintomas de gripe para o tratamento adequado, em especial os portadores de fatores de risco para agravamento e óbito (idosos, crianças, doentes crônicos etc.), pois estes têm maior probabilidade de apresentar complicações quando infectados pelo vírus Influenza.

Apesar de o vírus influenza intensificar-se no período de maio a agosto (inverno), ele circula todos os meses do ano, portanto, devem ser reforçadas as medidas de prevenção, principalmente lavar as mãos com frequência e evitar ambientes fechados e com aglomeração de pessoas. Também é necessário manter superfícies e objetos que entram em contato frequente com as mãos, como mesas, teclados, maçanetas e corrimãos, limpos com álcool, e não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos e talheres.

O cenário epidemiológico do vírus influenza mostra que existe, ao mesmo tempo, a circulação de vários tipos de agentes, além das síndromes respiratórias agudas transmitidas pela Influenza A (H1N1 e H3N2) e Influenza B, também os classificados como outros vírus respiratórios, como o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e o SARS-COV2 (novo coronavírus) enfatizando o novo subtipo viral causador da pandemia vivida atualmente pela COVID-19 , que também causam síndrome gripal e podem evoluir para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

A identificação de patógenos pode ser importante nos raros casos em que se considera o tratamento antiviral específico. Atualmente, esses casos limitam-se à influenza precoce ou grave ou infecção por VSR em pacientes gravemente imunocomprometidos. A identificação do patógeno específico (particularmente o vírus da influenza ou VSR em pacientes hospitalizados ou pacientes institucionalizados) também pode ser importante para identificar e conter potenciais surtos.

Os serviços de saúde devem estar sempre preparados para promover o atendimento adequado aos casos de Síndrome Gripal, reforçando as medidas de manejo clínico dos casos. O uso do antiviral (Oseltamivir) está indicado para todos os casos de síndrome gripal com condições e fatores de risco para complicações e de síndrome respiratória aguda grave, independentemente da situação vacinal ou da confirmação laboratorial. Nos pacientes com síndrome gripal sem condições e fatores de risco para complicações, a indicação do antiviral deve ser baseada em julgamento clínico, recomenda-se o tratamento ser iniciado nas primeiras 48 horas após o início da doença.

A terapêutica precoce reduz tanto os sintomas quanto a ocorrência de complicações da infecção pelos vírus da influenza, tanto em pacientes com condições e fatores de risco para complicações bem como naqueles com síndrome respiratória aguda grave. O antiviral apresenta benefícios mesmo se administrado após 48 horas do início dos sintomas.

A gripe causada pelo vírus influenza é uma doença grave que causa danos à saúde das pessoas há muitos séculos. É transmitida a partir das secreções respiratórias, podendo também sobreviver de minutos a horas no ambiente, sobretudo em superfícies tocadas frequentemente. A partir do contato com um doente ou superfície contaminada, o vírus pode penetrar pelas vias respiratórias, causando lesão que pode ser grave e até fatal, se não tratada a tempo.

A 22ª Campanha de Vacinação contra Influenza ocorre entre os dias 23 de março e 22 de maio, com dia “D” em 9 de maio. O público-alvo da campanha em 2020 compreende: crianças entre 6 meses a menores de 6 anos de idade (5 anos, 11 meses e 29 dias); gestantes; puérperas – até 45 dias após o parto; indivíduos com 60 anos ou mais; trabalhadores da saúde; professores do ensino infantil, fundamental e médio de escolas públicas e privadas e do ensino superior público e privado; povos indígenas; grupos portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas; população privada de liberdade; funcionários do sistema prisional; e policiais civis, militares, bombeiros e forças armadas da ativa; e a novidade para este ano são os adultos com idade entre 55 e 59 anos; pessoas com deficiência física, visual, auditiva, múltipla, intelectual e mental; e caminhoneiros, motoristas de transporte coletivo e portuários. Salienta-se a importância da vacinação para prevenir o agravamento dos casos e a não disseminação para a população de risco.

A meta é vacinar até 90% da população elencada. A vacinação contra influenza mostra-se como uma das medidas mais efetivas para a prevenção da influenza grave e de suas complicações. As vacinas utilizadas nas campanhas nacionais de vacinação contra a influenza do PNI são trivalentes que contêm os antígenos purificados de duas cepas do tipo A e uma B, sem adição de adjuvantes e sua composição é determinada pela OMS para o hemisfério sul, de acordo com as informações da vigilância epidemiológica.

A cobertura atual da vacinação é de 96,6% entre os idosos e 79,0% nos trabalhadores de saúde, conforme tabela 7.

 

OUTRAS INFORMAÇÕES

• Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) – Vigilância de gripe em Santa Catarina: http://www.gripe.sc.gov.br

• Protocolo de tratamento de influenza, 2017: http:// www.gripe.sc.gov.br/include/documentos/ProtocoloTratamentoInfluenza.pdf

• Síndrome gripal/SRAG – Classificação de risco e manejo do paciente: http:// http://www.gripe.sc.gov.br/include/documentos/fluxograma_gripe_novo.pdf


Topo