Boletim Epidemiológico n° 02/2020 Situação epidemiológica da Febre Amarela em Santa Catarina (Atualizado em 10/02/2020)

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A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC) divulga o boletim n° 02/2020 sobre a situação epidemiológica da Febre Amarela (FA), vigilância de epizootias em Primatas Não Humanos – PNH (macacos) e eventos adversos pós-vacinação da Semana Epidemiológica 01 a 06 (29/12/2019 a 08/02/2020).

 

SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA

   >>> Vigilância de casos humanos

A vigilância de casos humanos é feita por meio da notificação de casos com sintomatologia compatível com FA. Todo caso suspeito deve ser imediatamente comunicado por telefone ou e-mail às autoridades de saúde (em até 24 horas), por se tratar de doença grave com risco de dispersão para outras áreas do território nacional e internacional.

 Entre a SE 01 a 06 (28/12/2019 a 08/02/2020), foram notificados dezoito (18) casos humanos suspeitos de FA, sendo que dezesseis (16) foram descartados (12 por critério laboratorial e 04 por critério clínico epidemiológico) e dois (02) foram confirmados (Tabela 1). 

Os casos confirmados são do sexo masculino, na faixa etária dos 40 aos 49 anos, residentes nos municípios de São Bento do Sul e Jaraguá do Sul. Ambos não apresentavam registro de vacinação (Tabela 2).  

Quando se analisa o período de monitoramento (julho/2019 a junho/2020), conforme sazonalidade da doença, foram notificados 38 casos suspeitos, sendo 36 descartados (24 pelo critério laboratorial e 12 pelo critério clínico-epidemiológico), e 2 confirmados com FA (Figura 1).

 

  >> Vigilância de Epizootias em Primatas Não Humanos – PNH (macacos)

A vigilância de epizootias em PNH consiste em captar informações sobre o adoecimento ou morte desses animais e investigar oportunamente, a fim de detectar precocemente a circulação do vírus amarílico e subsidiar a tomada de decisão para a adoção das medidas de prevenção e controle. 

Entre a SE 01 a 06 (28/12/2019 a 08/02/2020), foram notificadas 275 epizootias de PNH em 28 municípios de Santa Catarina.  Neste período, do total de PNH acometidos, 183 (66%) tiveram a causa do óbito indeterminada (sem possibilidade de diagnóstico devido à ausência de coleta de amostras para análise), 87 (32%) permanecem em investigação, 2 (1%) apresentaram resultado negativo e 3 (1%) foram confirmados com FA (Tabela 3 e Figura 2).  

 

Em comparação com o mesmo período do ano passado os números de notificações aumentaram em mais de oito vezes, principalmente nas regiões do Médio Vale do Itajaí e Planalto Norte. Esse aumento é um indício da possível circulação do vírus da febre amarela e serve como alerta para a adoção imediata de medidas de prevenção, especialmente com a vacinação das pessoas a partir dos 9 meses de idade, uma vez que a doença nos PNH precede os casos humanos. A sensibilidade dos municípios em notificar epizootias em PNH e coletar amostras oportunamente é o fator determinante para a redução do risco de exposição das pessoas suscetíveis.

 

Durante o período de monitoramento 2019/2020 foram notificadas 448 epizootias em PNH em 71 municípios de Santa Catarina. Do total de PNH notificados, 120 (27%) tiveram resultado negativo, 230 (51%) tiveram a causa do óbito indeterminada, 92 (21%) estão em investigação e 6 (1%) foram positivas para Febre Amarela (Figura 4).

 

>> Imunização

A vacina contra a febre amarela é o único meio de prevenção contra a doença. É altamente imunogênica, segura e confere proteção a 95% a 99% dos vacinados. Desde julho de 2018, todo o estado de Santa Catarina é Área com Recomendação de Vacina (ACRV). Ela é elaborada a partir de vírus vivo atenuado, que estimula a produção de anticorpos contra a doença. Neste sentido, todas as pessoas, a partir dos 9 meses de idade tem indicação para receber a vacina.

Até o momento, a cobertura vacinal em Santa Catarina é de 85,48%. Na Figura 5, é possível visualizar a situação de cada município. É importante destacar que a cobertura vacinal em Santa Catarina não é homogênea, sendo fundamental o reforço nas áreas com percentual de vacinados abaixo de 95%. Essa análise é especialmente importante nos locais em que há evidência da circulação do vírus da FA, bem como naqueles em que a análise de risco aponta a possibilidade de disseminação da doença (Figura 6). 

 

 

>> Eventos Adversos Pós Vacinação 

Evento adverso pós-vacinação (EAPV) é qualquer ocorrência médica indesejada após a vacinação e que, não necessariamente, possui uma relação causal com o uso de uma vacina ou outro imunobiológico (imunoglobulinas e soros heterólogos). Um EAPV pode ser qualquer evento indesejável ou não intencional, isto é, sintoma, doença ou um achado laboratorial anormal (CIOMS; WHO, 2012).

No período de 01 de janeiro a 10 de fevereiro de 2020 foram aplicadas 10.878 doses da vacina contra a febre amarela no estado de Santa Catarina. Nesse período, houve a notificação de 1 caso suspeito de evento adverso grave pós-vacinação, que está em investigação. É importante destacar que a ocorrência de eventos adversos, em especial os considerados graves, é rara, necessita de atendimento médico imediato e deve ser investigada pela vigilância epidemiológica.

 

>> Avaliação de risco para circulação do vírus da FA em SC

 As características ambientais do deslocamento da doença são conhecidas a partir da notificação do adoecimento e morte dos Primatas Não Humanos (PNH – macacos), para que assim seja possível realizar a coleta das vísceras e identificar a circulação viral, bem como com os casos humanos confirmados. Com as informações atualmente disponíveis, estudos de avaliação de risco que vem sendo realizados pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina em parceria com os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, Ministério da Saúde e Fiocruz, sendo possível estimar a velocidade de deslocamento do vírus pelos corredores ecológicos em 3 Km/dia.

O vírus está percorrendo as regiões de saúde do Nordeste, Planalto Norte, Médio Vale do Itajaí e Alto Vale do Rio do Peixe se expandindo para a região da Serra Catarinense com fragmentos de Mata Atlântica. Na Figura 6, é possível visualizar, com base nos estudos de avaliação de risco, a situação do Estado frente a circulação do vírus da FA. Quanto ao potencial impacto à população do Estado, destaca-se elevada vulnerabilidade regional, especialmente nas áreas localizadas no polígono da cor vermelha, uma vez que os indicadores de cobertura vacinal estão abaixo do recomendado em muitos desses municípios.

   É fundamental a vacinação de todas as pessoas não vacinadas, especialmente aquelas que residem ou trabalham em áreas silvestres ou próximas as matas. Ressalta-se que toda a expansão da circulação do vírus está associada à ocorrência do ciclo silvestre da doença, não havendo até o momento nenhum indício da sua urbanização.

  


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